
24.1.08
Nas bancas

15.1.08
Rio: Copacabana
Fachada do Copa, D.R.Há uns tempos, pediram que explicasse as razões que me levam a regressar aqui, ainda que prefira ambientes modernos e pequenos, e eu escrevi: “Regresso pelo conforto dos quartos, pelo empregado que se esforça em fixar o meu nome entre tantos, pelas orquídeas que trepam pelas árvores do pátio, pela feijoada de sábado, pelo brunch de domingo, e pela hora mágica em que as suas fachadas se alumiam. E também porque, para mim, a ideia de um dia perfeito no Rio termina com um banho ao luar, na piscina ancorada entre os restaurantes Pérgula e Cipriani”. A isto somo agora um outro atractivo de peso: um spa a cheirar a novo, de 700m² nas antigas Termas Copacabana, com acesso pelo edifício anexo, com belos apontamentos florais nas paredes, onde as empregadas usam havaianas em vez de sapatos e os tratamentos, a partir dos 35 euros, utilizam produtos das linhas Natura, Decleor, Wellness e Shiseido.
Piscina do Copa ao anoitecer, D.R.
Um dos novos quiosques entre os postos 1 e 4, D.R.11.1.08
Rio: Leblon
“Lá não existe / Felicidade de arranha-céu / Pois quem mora lá no morro / Já vive pertinho do céu” (Ave Maria no Morro, João Gilberto). Das ruas do Leblon ainda não dá para perceber, mas o crescimento da favela Chácara do Céu, no sopé do Morro Dois Irmãos, já começa a levantar muitos sobrolhos. Que o digam os moradores do Alto Leblon, tido como um dos bairros mais pacatos do Rio de Janeiro ― quase uma aldeia, reduto da alta burguesia carioca, onde ainda se cumprimenta o jornaleiro, as crianças brincam na praça e se pára no bar da esquina para dar dois dedos de conversa. Até ver, contudo, a aura residencial do Leblon, seguramente o bairro com mais vedetas por metro quadrado, mantém-se incólume, não obstante os seus luxuosos condomínios terem quase todos ultrapassado, em muito, a altura máxima outrora estabelecida em quatro andares.
Outra sua característica muito curiosa é a de ser praticamente auto-suficiente. Há de tudo: da praia badalada, com direito a segmento para as amas, aos melhores pontos de sumos naturais ― aconselho o Juice Co. Lounge (Av. Gen. San Martin, 889) e o Universo Orgânico (R. Conde de Bernadote, 26, lojas 105 e 106) ―, sem esquecer a animação nocturna, sobretudo no Baixo Leblon, com o Jobi (Av. Ataulfo de Paiva, 1166) à cabeça graças às mesas lotadas madrugada fora com cariocas e não cariocas em amena cavaqueira.
Andrea Prado e Christiana Guimarães, da Grã, D.R.
Estrada do Joá vista do La Suite, foto de JMS10.1.08
Rio: Ipanema
Fasano na esquina da Vieira Souto com a Joaquim Nabuco, D.R.
Poltrona Big Mamma, de Gaetano Pesci, no corredor do Fasano, foto de JMS
Uma das suites topo de gama do Fasano, D.R.
Varanda com vista lateral de um dos quartos do fundo do Fasano, foto de JMS
A praia frente ao célebre posto 9, em Ipanema, D.R.
9.1.08
Rio: Lagoa, J. Botânico e Gávea
“O Rio de Janeiro continua lindo / O Rio de Janeiro continua sendo / O Rio de Janeiro, Fevereiro e Março” (Aquele Abraço, Gilberto Gil). Uma lagoa rodeada por prédios e morros. O céu de fim de tarde não chega a ficar incandescente, mas a magia não sai beliscada. Coloco de parte o cocktail de álcool e frutas amazónicas, demasiado adocicado, e ajeito-me numa das cadeiras alfresco do Kanta Galo (Av. Epitácio Pessoa, s/nº, Parque do Cantagalo) para melhor desfrutar o cenário. A minha preguiça nem sequer destoa da energia comedida com que a grande maioria, e são muitos àquela hora, se exercita e passeia nos oito quilómetros que rodeiam a Lagoa Rodrigo de Freitas.
Os parques vizinhos dos Patins e das Catacumbas foram os pioneiros, no final dos anos 90, a inaugurar a tradição dos quiosques com cozinhas de vários pontos de mundo, mas o Kanta Galo, o irmão mais novo do exótico ― e, a meu ver, mais conseguido ― Palaphita Kitch, pertence a uma geração mais recente de quiosques que vieram dinamizar o Parque do Cantagalo, às margens da Lagoa, entre o final do dia e a madrugada.
Mas nem tudo é tão idílico como parece à primeira vista. A meio caminho entre Ipanema e Leblon, a lagoa, ligada ao mar pelo canal do Jardim de Alah, padece ainda com a poluição, mas tem vindo a melhorar e está mais arborizada e cuidada. O trânsito intenso à sua volta também está longe de ser um bálsamo em hora de ponta, até porque é um eixo de circulação entre vários bairros da Zona Sul.
Alameda das palmeiras imperiais, J. Botânico, D.R.
Claude Troisgros, D.R.Sem contar que continuam aqui dois dos chefes mais premiados dos últimos tempos: Claude Troisgros e Roberta Sudbrack (R. Lineu de Paula Machado, 916). O primeiro é um francês há muito radicado no Rio, mas não há meio de perder o forte sotaque. Reabriu, em finais de 2003, o seu antigo restaurante, o Olympe (R. Custódio Serrão, 62), e, desde então, não pára de arrecadar todos os prémios mais prestigiados para a sua cozinha francesa com um toque brasileiro. A segunda é agora uma confirmação em matéria de cozinha contemporânea e veio directa do Palácio da Alvorada, onde cozinhou para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Os comensais, que podem também participar em aulas semanais, sentam-se numa mesa comum e pagam cerca de 60 euros à cabeça para provar as suas criações, aparentemente simples, mas muito sofisticadas. Mais acessível é o seu café, no segundo piso da loja multimarca Dona Coisa (R. Lopes Quintas, 153), também no Jardim Botânico.
Aula culinária de Roberta Sudbrack (de óculos e rolo na mão), D.R.
8.1.08
Rio: Santa Teresa
Sala de estar da Mama Ruisa, Santa Teresa, foto de JMSNeste bairro altaneiro existem ainda outras três ― Solar da Santa, Castelinho 38 e Rio 180 ―, surgidas entre 2006 e 2007, também nas mãos de estrangeiros que se apaixonaram pelo local; sem mencionar as casas de moradores, mais modestas, que aderiram ao conceito de cama e café de Leonardo Rangel e João Vergara. É, Santa Teresa está na moda.
Piscina da Mama Ruisa, Santa Teresa, foto de JMSPara quem chega à espera de encontrar um bairro boémio e popular, que se tornou conhecido pelos blocos de Carnaval de rua, bares e ateliers, vai ter de se conter para não se sentir arrebatado pelo seu dédalo de ruas e ladeiras a pique, entre bolsas de verde e vistas panorâmicas, pelo acervo do museu Chácara do Céu (R. Murtinho Nobre, 93), antiga casa do coleccionador Raymundo Castro Maya, ou ainda por um prazenteiro almoço de domingo no Aprazível (R. Aprazível, 62), um restaurante que mais parece um refúgio, escondido entre denso arvoredo, com cozinha brasileira esmerada e recomendada.
Aprazível, Santa Teresa, foto de JMSPodem subir a Santa Teresa de táxi, mas nada se compara a uma viagem no histórico “bondinho”, que atravessa os Arcos da Lapa, um aqueduto do século XVIII ― saídas da rua Prof. Lélio Gama, junto ao edifício da Petrobrás e da cónica catedral Metropolitana, talvez a obra mais incompreendida e mal-amada de Oscar Niemeyer.
7.1.08
Rio: Introdução
“Rio 40 graus / Cidade maravilha / Purgatório da beleza / E do caos...” (Rio 40 Graus, Fernanda Abreu). O rigor, e a minha boa consciência, obriga-me a começar esta série de posts sobre o Rio de Janeiro com um relato muito pessoal. Durante a minha última viagem, em Dezembro de 2007, fui finalmente vítima de um percalço infeliz. E não escrevo este “finalmente” com a mínima ponta de ironia, pois, nos muitos anos em que tenho visitado a cidade, nunca me comportei, por um minuto que seja, como se aguardasse o pior a qualquer instante.
Muito pelo contrário, do Rio, eu sempre esperei, e espero, o melhor. Mas aconteceu; num belo dia, à porta de um hotel cinco estrelas, onde era suposto não ter de me preocupar com mais nada, distrai-me por uma fracção de segundos e um taxista menos escrupuloso aproveitou para se escapulir com a minha mala. Fiquei, literalmente, com a roupa do corpo e com aquele amargo de boca de ser obrigado a ouvir, de amigos e familiares, um “finalmente”, desta vez sim, carregado de fina ironia. Mas não me dou por vencido. É claro que me enfureci ― e enfureci-me, sobretudo, pelo sentimento de impotência e de impunidade que sentimos num quase encolher de ombros generalizado e na falta de empenho das autoridades policiais, a quem faltam meios, formação e salários mais justos para fazerem a diferença ―, o que não apaga, todavia, tudo de bom que o Rio já me deu e, estou certo, me vai continuar a proporcionar.
Logo, desengane-se quem julgou ir ler um retrato ressentido do Rio de Janeiro. Seguir-se-ão antes vários relatos assumidamente pessoais, mas ainda assim com o devido distanciamento e espírito crítico, de alguém que quer passar a seguinte mensagem aos que sempre desejaram ir ao Rio, mas ainda não tiveram coragem: acidentes podem acontecer, ninguém está livre disso, mas é apenas uma probabilidade ínfima. Garantido mesmo é que ao chegarem ali, aposto, vão surpreender-se com cenários e situações que se tornaram clichés de tão repetidos em cartões postais, mas que, quando testemunhados ao vivo e a cores, nos emocionam. De quantos lugares do mundo podem dizer a mesma coisa?
26.2.07
Uma verdade inconveniente?
Daqui a um ou dois dias, começo a escrever o meu texto sobre São Paulo (a previsão aponta para Maio, nas bancas em finais de Abril). Uma vez mais, uma questão se me coloca: como passar a mensagem de forma correcta? Melhor: como encontrar o equilíbrio certo entre o que considero ser um retrato pessoal, baseado nas minhas impressões e vivências ― que se leia com vontade, independentemente do leitor estar ou não a pensar viajar ao lugar em questão ―, e um roteiro útil, recheado de boas dicas, para quem se dá ao trabalho de, mais do que “apenas” ler este tipo de textos, coleccioná-los na esperança de algum dia os testar? Motivar os primeiros a não se ficarem apenas pelos bonecos (as imagens, o que nos levaria a outra discussão, mas não vou entrar por aqui… não agora!) e não defraudar as expectativas dos segundos não é, acreditem, uma tarefa fácil para quem, como eu, luta há anos para ser levado a sério numa variante do jornalismo que carece ainda de regras próprias e do devido reconhecimento (dos seus pares, inclusive). Acontece que, sobretudo nos últimos tempos, me tenho deparado com uma outra dificuldade. Uma dificuldade que, confesso, não esperaria encontrar depois de já termos queimado tantas etapas: como conseguir falar nos aspectos negativos, ou menos positivos se quiserem ir pelo politicamente correcto, sem que o editor se sinta tentado a censurar (a palavra é forte, mas não deixa de ser a correcta) o meu texto em nome daquilo que a revista entende ser “desnecessário” ou “susceptível de criar anti-corpos” em quem lê face ao destino em causa? Imagino que, dito assim, à queima-roupa, a minha questão suscite alguma indignação: mas, afinal, perguntar-me-ão, nos dias de hoje ainda se pratica censura? Claro que sim. E não julguem que estou a falar dos administradores atentos aos números ― os que querem ter revistas de viagens no seu grupo editorial porque é moda, mas depois continuam a achar, passados tantos anos, que fazem um tremendo favor aos senhores que lá trabalham, pois estão a pagar-lhes para eles andarem no “bem bom”, que é como quem diz a viajar pelo mundo inteiro. Estou mesmo a falar dos directores, dos chefes de redacção e dos editores que, mesmo sendo na sua maioria pessoas bem (in)formadas, cedem à desculpa fácil de que uma revista de viagens não se deve imiscuir na política e nas causas sociais, quando, na realidade, estão apenas com medo de que, não tendo as revistas portuguesas orçamentos que lhe permitam realizar as viagens sem ajudas externas, algum dos seus habituais parceiros se sinta melindrado.
Já estive à frente de uma revista de viagens, por isso sei até que ponto a questão das parcerias é algo de muito sensível. Mas acreditam se lhes disser que, nos anos em que exerci esse cargo, nunca censurei o texto de nenhum jornalista nem dei indicações, veladas ou expressas, para omitir o lado menos agradável dos lugares visitados? Como em tudo na vida, acho que é, sobretudo, uma questão de bom senso. Bom senso na hora de aceitar este ou aquele convite (e há convites e parcerias que, logo de caras, mais vale recusar pelas implicações que poderão acarretar); bom senso de quem escreve, e sabe que pode e deve ser responsabilizado pelo que diz; bom senso de quem publica e sabe ter a obrigação de informar com rigor o seu público.
Não tenho muitos casos de textos “censurados”, até porque me bato sempre por aquilo que acredito ser a integridade do meu trabalho, mas há dois exemplos recentes que me marcaram: primeiro, numa reportagem sobre o Rio de Janeiro, tive de INSISTIR que queria focar a questão da violência, até para a integrar no seu devido contexto e ajudar as pessoas a perceberem melhor aquilo que vêem apenas nas notícias. Fiquei com a sensação clara de que se não tivesse querido falar na questão, ninguém na revista se teria importado e, talvez, até tivessem preferido (pergunto: não deveria ser essa uma das primeiras preocupações quando se pensa em publicar uma reportagem sobre o Rio de Janeiro e se sabe, à partida, que muitos portugueses morrem de vontade de lá ir, mas têm medo?).
A outra foi numa reportagem sobre a ilha tunisina de Jerba. Para quem não sabe, esta ilha tem a particularidade de assistir há vários séculos a uma convivência pacífica entre muçulmanos e judeus, por isso, quando falei na sinagoga El-Ghriba, achei que não podia deixar de fora um episódio marcante, até por ter sido uma excepção: no fatídico 11 (uma data que se repete nos atentados da Al Qaida) de Abril de 2002, um camião cisterna explodiu contra as paredes da principal sinagoga da ilha, provocando a morte de 21 pessoas (entre eles, turistas alemães e um francês). Com medo das repercussões que isso poderia ter no seu turismo, as autoridades tunisinas demoraram a dar explicações e tentaram desdramatizar o incidente. Pois bem, recebi um telefonema do editor a comunicar-me que tinham optado por eliminar este trecho da minha reportagem. Justificação: as pessoas têm pavor dos atentados da Al Qaida e isso funcionaria logo como pretexto para evitarem Jerba. Depois de esgrimirmos argumentos por alguns minutos, acabei por ceder, não sem antes deixar claro que achava uma decisão pouco ética e uma forma de subestimar a inteligência de quem nos lê. Arrependo-me até hoje de ter cedido (embora, na prática, não tivesse muitas outras alternativas).
Será que estou errado? Detestaria ter de dar razão àqueles que insistem em enfiar todos os jornalistas de viagens no mesmo saco, o dos alienados que vivem fora da realidade e se preocupam em reproduzir, tão só, o lado cor-de-rosa da vida.
29.1.07
Perdições (7)
Chocolate com griffe
O Valle Flor, a funcionar no Hotel Pestana Palace, é um restaurante caro, não o nego, mas não se acanhem em considerá-lo para uma ocasião especial. A excelência da sua cozinha e o charme do hotel não desiludem. Para mais, e depois de ter lido a edição de Fevereiro da revista Evasões (cuja página reproduzo à esq.), fiquei a saber também que a jovem pasteleira do Valle Flor, Ana Rita Cristovão, ganhou, pela quinta vez consecutiva, o prémio Chocolatier do Ano no Festival Internacional de Chocolate de Óbidos. Em causa esteve uma das suas criações de sonho: Mil-folhas de chocolate manjari e maracujá, em espuma de cacau e trufa morna.Outra dica preciosa: existe em Carcavelos, desde 2003, o Cacau Clube, uma associação não lucrativa que visa dar a conhecer o chocolate. O Cacau Clube organiza, entre Fevereiro e Março, três sessões que vão incluir, no final, a degustação de uma sobremesa criada por um chefe de renome. Mais informações através do e-mail: cacau.clube@telepac.pt
Chocolate à alentejana
Nem tudo se resume a Lisboa e arredores. Que o diga quem já foi à Mestre Cacau, em Beja. Criada, em 2005, pelo casal Célia e João Dias, esta casa inspirou-se nas chocolatarias de outras paragens para criar no Alentejo a sua marca registada. Assim, além da confeitaria própria, na Mestre Cacau produzem-se chocolates artesanais que surpreendem pelos recheios de medronho, café de Timor ou aguardente da Vidigueira. Chocolate de autor
Altas temperaturas não combinam bem com chocolate, mas isso não tem impedido o Rio de Janeiro de ganhar tradição na matéria. Um dos meus locais preferidos, para nenhum chocólatra "botar" defeito, é a loja Aquim, no Leblon (Av. Ataulfo de Paiva, 1321). Oriunda de uma família que se tornou famosa pelos seus buffets magistrais, Samantha Aquim (na foto, publicada na Veja), graças à sua formação na escola francesa de gastronomia Lenôtre, é quem comanda hoje as operações e produz artesanalmente, recorrendo quase sempre a chocolate belga, nove tipos de sofisticados bombons. Com uma média de venda superior às 200 unidades por dia, tudo ali é de arregalar a vista, pois as criações são expostas, como se de jóias se tratassem, numa vitrina especial.Chocolate com pimenta
Se o nome do chefe Ferran Adrià dispensa apresentações, de tão famoso que se tornou no mundo inteiro, quando se fala em chocolate quem merece uma referência especial é o seu irmão Alberto, graças ao conceito Cacao Sampaka (Mercado de Chocolate). Com lojas em várias cidades espanholas (como Madrid, Girona, Valência, Málaga...) e até em Berlim, na Alemanha, é, contudo, a casa de Barcelona que chama mais à atenção. Num misto de café e loja, no nº 292 da Conseil de Cent, é o local ideal para comprar umas trufas perfeitas e beber uma típica chávena de chocolate espesso (com a consistência idêntica a um pudim, como os espanhóis gostam), enriquecido de uma pitada de canela e de pimenta.24.1.07
Rapidinhas (1)
(Naomi Campbell no Rio, direitos reservados)
(Bairro Vermelho, Amesterdão, direitos reservados)
(Palácio da Vila, Sintra, direitos reservados)Tóquio O metro de Tóquio, numa iniciativa conjunta com a Embaixada portuguesa, lançou 300 mil exemplares de um novo bilhete. Até ai nada de novo não fosse esse bilhete trazer impressa uma imagem do Palácio da Vila, em Sintra. Este monumento, que está na lista do Património Mundial da UNESCO, não aparece por acaso, já que Sintra é uma das vilas mais visitadas em Portugal pelos turistas nipónicos.
(Paris Hilton, 2000, por David LaChapelle) Viena Já todos estamos cansados de saber que a tradição não é mais o que era, mas havia necessidade de convidar a azougada Paris Hilton (a foto é de David LaChapelle e está em exibição, em Berlim, na Fundação Helmut Newton) para figura de destaque no famoso Baile da Ópera de Viena? Richard Lugner, um bem sucedido empresário da construção civil, achou que sim e quer tê-la, no próximo dia 15 de Fevereiro, no seu camarote, enquanto desfilam as debutantes com toda a pompa e circunstância. Afinal, e bem vistas as coisas, por que não? Por lá já passaram, também como convidadas de honra, Grace Jones, Joan Collins, Pamela Anderson ou Sarah Ferguson, todas elas igualmente mediáticas... e escandalosas.
5.1.07
Perdições (3)
Ainda a propósito da minha última viagem ao Rio de Janeiro, não resisto a deixar aqui, à laia de dica, o meu encontro com Flávia Quaresma, à frente de um restaurante de que gosto muito.
(Flávia Quaresma fotografada para a revista Veja, direitos reservados)Em Botafogo, um dos bairros nobres da Zona Sul do Rio de Janeiro, o que não faltam são casarões dignos de uma espreitadela na Rua São Clemente ― entre eles, a Residência do Cônsul de Portugal, que José Rodrigues dos Santos descreveu com minúcia no seu romance O Codex 632 ―, mas o meu destino era a Rua Visconde de Caravelas. É ali, nº113, que fica, até ver (fala-se numa mudança para o Leblon ainda este ano), o restaurante de Flávia Quaresma. Quem acompanhava na TV Cabo o extinto GNT não vai ter dificuldade em reconhecer o rosto bonito e simpático da jovem chef que, em parceria com o premiado chef paulista Alex Atala, corria o Brasil à procura de sabores inusitados para o programa Mesa p’ra dois. Longe de ser uma novidade, o seu Carême Bistrô (R. Visconde de Caravelas, 113, jantares de 3ª a sáb.), pequeno e intimista como uma mercearia fina, é um dos mais elogiados do Rio em matéria de cozinha francesa, mas mantém-se na berra graças ao carisma de Flávia e à sua mão certeira para as sobremesas ― ganhou o prémio 2006/07 da revista Veja nesta categoria. Uma das suas eleitas é a exótica “bavaroise de cupuaçu com sorvete de castanha-do-Brasil e calda de frutos tropicais. Um charme.
31.12.06
Hoje é dia...
Faltam apenas algumas horas para sair 2006 e entrar 2007. Quem chegará primeiro, quem chegará por último? Aqui faz-se a contagem ao segundo.
(JMS, direitos reservados)
«A última vez que encarei a Vanda, ela tinha os olhos bem abertos e o rosto iluminado pelos fogos de artifício: ouro, prata, azul, verde e rosa. Depois escapei pela escada, tomei o elevador trepidante, o edifício parecia vir abaixo com o foguetório. Cruzei a avenida, desci na praia apinhada de gente, exceto por umas clareiras com iemanjás de areia cercadas de velas. Cheguei à beira da água, de onde pessoas com saias suspensas e calças arregaçadas atiravam flores brancas ao mar. Quebrou uma onda mais forte, recuei para não molhar os sapatos; a espuma chegou aos meus pés e um ramo de lírios encalhou na areia. Significava um pedido recusado, por ambicioso demais, ou pouco intenso, ou enigmático, ou indecoroso, sabe lá. Colhi o ramo, com suas três flores ensopadas, mirradas mas ainda inteiras, e pensei em avançar mar adentro de terno e tudo, para atirá-lo além da rebentação. Mas talvez Iemanjá se aborrecesse por ver aquele lírio repetido, um lírio que acabara de rechaçar. Lírios, no entanto, são lírios, são todos iguais, e ela não haveria de estar ali julgando lírios, mas sim pedidos. Então fechei os olhos e cheguei a dar dois, três passos, até atinar que não tinha pedido nenhum para fazer. Eu que, sem acreditar em Iemanjá, sempre lhe lancei oferendas e fui atendido, agora era um homem crédulo com uma oferenda inútil na mão.» (Trecho de Budapeste, de Chico Buarque, direitos reservados para texto e imagem)
28.12.06
Hoje, o Rio acordou assim...
Li hoje, no blog da Suzi, que o Rio de Janeiro havia amanhecido triste, cinzento. Na altura não compreendi, de imediato, a sua metáfora, que ficou clara agora que se difundem pelo mundo as notícias que dão como certos os feridos (23, pelo menos...), as mortes (18) e o pânico que se gerou, de madrugada, na cidade, em áreas nobres como Copacabana, Botafogo ou Barra da Tijuca, devido ao ataque de grupos marginais (ao que tudo indica sob as ordens dadas a partir de uma prisão local, por membros de quadrilhas da droga ali retidos, para semear o terror e pressionar as autoridades). Várias pessoas foram atacadas, assaltadas, autocarros incendiados, espalhou-se o medo num momento em que o Rio se enche para festejar o Réveillon, que é, a par do Carnaval, um dos seus maiores cartões de visita. Para piorar (ainda mais) tudo, as ligações aéreas de e para a cidade estão com sérias dificuldades. Fico sempre triste quando é este o eco que me chega d'além-mar. O Rio e os cariocas não merecem.
27.12.06
Hoje é dia...

Faltam apenas 4 dias para sair 2006 e entrar 2007. Quem chegará primeiro, quem chegará por último? Aqui faz-se a contagem ao segundo.
As férias na neve conquistaram os portugueses e, de ano para ano, crescia o número de pessoas que as elegiam para o Réveillon... Mas eis que a falta de neve nas principais estâncias europeias, sobretudo nas mais em conta como a Serra Nevada, em Espanha, está a levar muitos a cancelaram as suas reservas à última da hora. Pois é, se no ano passado, por esta altura, já estava tudo esgotado para ir esquiar, agora está tudo cheio é para "fugir" do frio e ir ao encontro do calor. E quais são as preferências dos portugueses? Brasil, pois claro, com o Rio de Janeiro e as praias do Nordeste à cabeça, seguido das "Caraíbas dos pobres" (que é como quem diz República Dominicana e Cuba) e de Cabo Verde. É o que se pode chamar de entrar no novo ano "à sombra da bananeira", ou será antes do coqueiro?Em contrapartida, e a avaliar pelas notícias mais recentes, destinos como a Indonésia, a braços com chuvas torrenciais, a Índia, com mau tempo e uma vaga de frio que está a deixar as autoridades preocupadas devido ao elevado número de sem-abrigos, ou Taiwan, vítima de um violento sismo que afectou as comunicações na China, Singapura e até no Japão, devem ficar de fora das cogitações de quem está à procura de um lugar exótico para entrar em 2007.
Três lugares onde não me importaria de aterrar nesta passagem de ano (mas sem constipação, por favor):
Sydney
(Fogos na baía de Sydney, direitos reservados)













