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31.12.06

Hoje é dia...


Faltam apenas algumas horas para sair 2006 e entrar 2007. Quem chegará primeiro, quem chegará por último? Aqui faz-se a contagem ao segundo.

Logo mais, não me vou vestir todo de branco, mas, na minha mesa, não quero que faltem flores brancas. Flores e velas. Brancas.

(JMS, direitos reservados)

A menos que fosse para descer aos areais de Copacabana, e ali ficasse, anónimo entre o povo de branco vestido, a ver os fogos e a torcer para 2007 dar certo!


(Fogos em Copacabana, direitos reservados)

Lembrei-me agora: eu já estive ali. Já vivi esse momento pela mão de Chico Buarque...


«A última vez que encarei a Vanda, ela tinha os olhos bem abertos e o rosto iluminado pelos fogos de artifício: ouro, prata, azul, verde e rosa. Depois escapei pela escada, tomei o elevador trepidante, o edifício parecia vir abaixo com o foguetório. Cruzei a avenida, desci na praia apinhada de gente, exceto por umas clareiras com iemanjás de areia cercadas de velas. Cheguei à beira da água, de onde pessoas com saias suspensas e calças arregaçadas atiravam flores brancas ao mar. Quebrou uma onda mais forte, recuei para não molhar os sapatos; a espuma chegou aos meus pés e um ramo de lírios encalhou na areia. Significava um pedido recusado, por ambicioso demais, ou pouco intenso, ou enigmático, ou indecoroso, sabe lá. Colhi o ramo, com suas três flores ensopadas, mirradas mas ainda inteiras, e pensei em avançar mar adentro de terno e tudo, para atirá-lo além da rebentação. Mas talvez Iemanjá se aborrecesse por ver aquele lírio repetido, um lírio que acabara de rechaçar. Lírios, no entanto, são lírios, são todos iguais, e ela não haveria de estar ali julgando lírios, mas sim pedidos. Então fechei os olhos e cheguei a dar dois, três passos, até atinar que não tinha pedido nenhum para fazer. Eu que, sem acreditar em Iemanjá, sempre lhe lancei oferendas e fui atendido, agora era um homem crédulo com uma oferenda inútil na mão.»
(Trecho de Budapeste, de Chico Buarque, direitos reservados para texto e imagem)

29.12.06

Hoje é dia...


Faltam apenas 2 dias para sair 2006 e entrar 2007. Quem chegará primeiro, quem chegará por último? Aqui faz-se a contagem ao segundo.

Reiquiavique

(Fogos de fim de ano, Islândia, direitos reservados)

Aos nossos olhos, a Islândia, essa terra de gelo e fogo, permanece como uma espécie de “mundo do fim do mundo” (acho que Luis Sepúlveda não levará a mal por lhe tomar emprestado o título de um dos seus romances). Remoto, sim; incivilizado, nunca. Muito longe disso, como já o provou a cantora Björk e o facto da sua população possuir uma das taxas de leitura mais elevadas do planeta. Vai daí, lembrei-me, como será a passagem de ano em Reiquiavique, a capital? Gamlarskrold, perdão? É assim que chamam à passagem de ano, mas não percam muito tempo a tentar soletrar o que é (quase) impronunciável, pois os bons dos islandeses não ligam muito… Festivos como são, preocupam-se mais em juntar os amigos à volta de uma grande mesa e depois saem pela cidade em busca das várias, e enormes, fogueiras que alumiam o breu e aquecem os corações. Diz-se ser um costume que já vem da Idade Média e a mim parece-me uma ideia simpática. De resto, os habitantes da cidade têm um fascínio especial por fogo de artifício ― e, curiosamente, ou talvez não atendendo ao seu apurado sentido de ética, não possuem nenhuma lei que regule o seu uso, pelo que cada um pode estoirar quantos quiser ― e por beber, pelo que os bares e clubes não têm copos a medir pela madrugada fora. Falta-lhes, quiçá, o calor do Sul, mas têm ou não a sua piada?

28.12.06

Hoje é dia...


Faltam apenas 3 dias para sair 2006 e entrar 2007. Quem chegará primeiro, quem chegará por último? Aqui faz-se a contagem ao segundo.

2007 promete ser, para variar, um ano em cheio para as celebridades:


Ou muito me engano ou Leonardo DiCaprio vai, pelo menos tentar, ser hoteleiro. No início de 2006 vieram a público notícias que confirmaram DiCaprio como comprador de um ilhéu ao largo do Belize, na América Central, pela módica quantia de cerca de 1,5 milhão de euros. Até aí nada de novo, não fosse DiCaprio ter outros propósitos para Blackadore Cayo, assim se chama a ilhota de 41,6 hectares, do que servir-lhe apenas de refúgio para escapar dos paparazzis. Fontes próximas do actor confirmaram na altura a sua intenção de construir ali um eco-hotel de luxo, onde os hóspedes ficarão alojados em villas com piscinas, terraços privados e acesso directo à praia.

Dadas as preocupações ecológicas de DiCaprio, que deve ter presente a polémica ambiental que envolveu o filme A Praia rodado numa reserva natural ao largo de Phuket, na Tailândia, foi criada uma fundação e anunciado que o empreendimento vai apenas utilizar fontes de energia totalmente renováveis. A construção, para a qual o actor se associou à equipa do vizinho Cayo Espanto, vai decorrer de forma a provocar o menor impacte possível no ecossistema local, pois é bom não esquecer que a ilhota está apenas a 25 minutos de barco da barreira de coral do Belize, classificada como Património da Humanidade pela Unesco. A ver vamos se tudo não fica só no papel e nas intenções…

… como aconteceu, por exemplo, com George Clooney. Mas, primeiro, deixem-me recapitular. Clooney anunciou, no último trimestre de 2005, que pretendia abrir um resort em Las Vegas. De início, ter-se-á pensado que se tratava de mero marketing para ajudar a lançar um projecto alheio. O que, bem vistas as coisas, tinha a sua razão de ser, pois quando se começou a falar do assunto, as notícias focavam sobretudo que Clooney e Brad Pitt, depois de terem rodado os filmes Ocean Eleven e Ocean Twelve em Las Vegas, teriam manifestado a sua vontade de se associarem ao empresário Rande Gerber (na foto, à dir. de Clooney) ― também ele famoso pelos seus restaurantes, clubes nocturnos e, não menos importante, por ser o marido de Cindy Crawford ― na construção de um hotel-casino de luxo que marcasse a diferença na “Cidade do Pecado”.
Não era um mau plano. Mas Pitt saltou fora do projecto, Clooney ficou, disposto a investir dinheiro do seu, e anunciou ao mundo: «Estamos a colocar algo mais do que os nossos nomes neste projecto. Estamos a investir, económica e criativamente, para criar um ambiente suave que reflicta os nossos gostos pessoais e interesses, onde possamos relaxar com os nossos amigos que também adoram esta cidade.»


Baptizado de Las Ramblas (ver maqueta ao lado), este projecto deveria ocupar 62 hectares da área mais movimentada da cidade, o Strip, e contar com um hotel de cinco estrelas com 300 quartos, vários restaurantes, bares e um spa, além de cerca de três mil apartamentos construídos em torres. Pois é, só que ficou tudo em águas de bacalhau. O projecto tornou-se demasiado megalómano e a sociedade dissolveu-se. Há ainda quem diga que Clooney não desistiu e que, pode ser, talvez venha a convencer o amigo Brad Pitt e Rande Gerber a associarem-se na criação de algo mais pequeno, mas não necessariamente mais modesto. Quem viver, verá.

Ainda não sabem onde ir ver os fogos de fim de ano, inspirem-se...

Funchal

(Fogos na Madeira, direitos reservados)

27.12.06

Hoje é dia...


Faltam apenas 4 dias para sair 2006 e entrar 2007. Quem chegará primeiro, quem chegará por último? Aqui faz-se a contagem ao segundo.

As férias na neve conquistaram os portugueses e, de ano para ano, crescia o número de pessoas que as elegiam para o Réveillon... Mas eis que a falta de neve nas principais estâncias europeias, sobretudo nas mais em conta como a Serra Nevada, em Espanha, está a levar muitos a cancelaram as suas reservas à última da hora. Pois é, se no ano passado, por esta altura, já estava tudo esgotado para ir esquiar, agora está tudo cheio é para "fugir" do frio e ir ao encontro do calor. E quais são as preferências dos portugueses? Brasil, pois claro, com o Rio de Janeiro e as praias do Nordeste à cabeça, seguido das "Caraíbas dos pobres" (que é como quem diz República Dominicana e Cuba) e de Cabo Verde. É o que se pode chamar de entrar no novo ano "à sombra da bananeira", ou será antes do coqueiro?
Em contrapartida, e a avaliar pelas notícias mais recentes, destinos como a Indonésia, a braços com chuvas torrenciais, a Índia, com mau tempo e uma vaga de frio que está a deixar as autoridades preocupadas devido ao elevado número de sem-abrigos, ou Taiwan, vítima de um violento sismo que afectou as comunicações na China, Singapura e até no Japão, devem ficar de fora das cogitações de quem está à procura de um lugar exótico para entrar em 2007.


Três lugares onde não me importaria de aterrar nesta passagem de ano (mas sem constipação, por favor):


Sydney


(Fogos na baía de Sydney, direitos reservados)

Nova Iorque

(Times Square, direitos reservados)

Rio de Janeiro

(Fogos em Copacabana, direitos reservados)