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2.2.07

As novas maravilhas do mundo (2)

World Trade Center


A contribuição de Sir Norman Foster




Não me impressiono facilmente. Não que seja indiferente ao sofrimento e à dor, mas não me impressiono com facilidade. Todavia, ainda hoje, e sempre que revejo imagens do colapso das Torres Gémeas, em Nova Iorque, sinto um aperto no estômago. Acho que qualquer pessoa de bom senso sente o mesmo. Não estive em Nova Iorque depois do atentado, por isso não sei avaliar com precisão a dimensão do vazio deixado no Ground Zero. Mas estou curioso para ver o que de novo vai surgir ali. Sir Norman Foster, de quem já falei antes, e os seus associados foram uma das firmas de arquitectos escolhidas para criar os primeiros arranha-céus sustentáveis do World Trade Center. O projecto de Foster and Partners foi revelado ao mundo e deve estar concluído em 2011. Espero estar cá (ou melhor, lá) para ver.

30.12.06

Hoje é dia...


Falta apenas 1 dia para sair 2006 e entrar 2007. Quem chegará primeiro, quem chegará por último? Aqui faz-se a contagem ao segundo.

Escolhi Nova Iorque para vos desejar um 2007 iluminado...

(Chuva de confettis em Times Square, Nova Iorque, direitos reservados)

... mas, antes, deixem-me contar-vos uma estória.

A meia-noite aproximava-se a passos largos. A multidão estava mais frenética do que nunca. Ela deixou-se contagiar. Ao ponto de sacudir o cansaço e de esquecer as longas horas de espera. O grande momento, o clímax, não tardaria muito. E foi por esse breve instante, pensou Ela, que tinha cometido a loucura de, pela primeira vez na sua vida, passar um réveillon sem família ou amigos por perto (…).
Ao seu lado, um grupo de marines norte-americanos. Reparara neles momentos antes – para além do barulho que faziam, a sua farda branca não passava despercebida –, mas só então se dava conta de que o acaso se tinha encarregue de a brindar com mais um cliché nessa noite. Para além de estar em Times Square, estava também a ser alvo da atenção dos marinheiros. Uma cena digna de um velho clássico como o “On the Town”, em que Frank Sinatra e Gene Kelly, fardados a rigor, se aventuram na Broadway em busca de aventuras amorosas.

Um dos marines, com pinta de italo-americano, volta e meia, mirava-a de soslaio, enquanto os seus comparsas se metiam com ele. (…) De qualquer forma, de súbito todas as atenções convergiram para a enorme bola luminosa que começava a girar e a descer à terra em contagem regressiva. Os últimos sessenta segundos. Mais um ano prestes a escoar-se como areia por entre os dedos entreabertos. Quis fazer um balanço-relâmpago da sua vida no último ano, mas não conseguiu concentrar-se. A multidão estava ao rubro. Juntou-se ao coro nos dez segundos finais. E foi então que a esfera psicadélica pareceu explodir e a chegada do novo ano foi anunciada com o numérico a piscar sem parar.
Ao mesmo tempo que o céu era riscado por uma saraivada de trovões incandescentes, comandados à distância por computador, sobre as suas cabeças abateu-se uma chuva de papelinhos cintilantes de mil e uma cores. A imagem que tantas vezes vira na televisão repetia-se perante si para seu enorme deslumbramento. Apeteceu-lhe chorar de emoção. À sua volta, as pessoas riam, pulavam, beijavam-se, abraçavam-se… Deu-se conta que estava agora lado a lado com o marinheiro que ainda há pouco a fintava. Empurrados um para o outro por uma multidão que parecia conspirar a seu favor, tiveram a sensação de ser os únicos que permaneciam inertes. Levados pelo momento, e como tivessem acabado de assistir a um serviço religioso, deram um abraço rápido de circunstância. Ou melhor, deu Ela, pois ele, num gesto claramente irreflectido, voltou a puxá-la para si e desferiu-lhe um beijo de supetão.
Apanhada de surpresa, Ela só teve tempo de cerrar os lábios e de ensaiar uma tentativa de o empurrar para trás. Ainda com a boca dele colada à sua, os olhos dela, irados como mar revolto, detiveram-se nos dele, serenos como espelhos de água. Houve qualquer coisa naquele olhar, onde se podia ver reflectida, que a levou dali. Deixou de ouvir o barulho à volta, de sentir os encontrões, de pensar em mais nada que não fosse aquele beijo. À medida que afrouxou os lábios, sentiu o hálito morno dele, ligeiramente acidulado pela cerveja, misturar-se com o seu. As línguas encontraram-se e contorceram-se às cegas até se unirem num abraço sôfrego.
Enquanto durou o beijo foi como se tivessem estado dentro de uma cápsula. À parte. Imersos num tempo paralelo, que corria mais devagar, ao passo que à volta continuava tudo igual, numa rotação acelerada. Não ficaram suspensos no tempo. Apenas aquele momento, que para os outros não terá excedido os dois ou três minutos, equivaleu para eles a uma pequena eternidade. Deu mesmo para Ela abandonar o seu corpo por instantes e assistir à cena de fora. Dois corpos, lembrar-se-ia Ela mais tarde, enlaçados num beijo memorável, digno de figurar, caso alguém se tivesse dado ao trabalho de o imortalizar para a posteridade, entre a sequência final do “Cinema Paraíso”, o seu filme de eleição.
Ninguém os fotografou ou filmou. Aliás, quando soltaram o beijo foi como se ninguém tivesse dado por eles. (…) E nem sequer tiveram tempo de trocar uma única palavra, pois mal se largaram, a massa humana em movimento tratou de os arrastar para cantos opostos.
Atordoada, Ela demorou uns minutos a recompor-se. Não sabia o que pensar. Chegou mesmo a duvidar se aquele beijo teria realmente acontecido ou se tudo não passara de uma alucinação. O seu coração batia ainda descompassado e na boca sentiu um travo acidulado familiar. Não fora uma ilusão. Os seus olhos varreram a multidão à procura dele. Nem sinal.
Melhor assim, concluiu.
(…) Neste ano havia dispensado as passas, o brinde com champanhe e a troca de votos com quem lhe era mais querido, mas não abria mão dos seus desejos. O bom destes rituais de passagem, pensou, é que, ao repetirem-se ano após ano, devolvem ao ser humano a ilusão de é que possível zerar o conta-quilómetros da vida. Começar de novo. Uma ilusão que ajuda a manter-nos vivos. A manter a esperança.
Talvez por isso, em vez de lamentar o beijo trocado com um estranho, resolveu lembrar-se dele como um bom presságio para o ano acabado de chegar. Sentiu vontade de ouvir uma voz familiar. (…) E foi então que se deu conta de algo que, no fundo, sempre soubera e que só não se atrevera até então a admitir. Nem para si mesma. A solidão pode ser uma boa companhia, até mesmo uma boa conselheira. Só não deve é tornar-se possessiva a ponto de nos impedir de dar o devido valor à comunhão e à entrega ao outro. Cansou-se de estar sozinha nessa noite, mas a revelação, em vez de amargura, trouxe-lhe paz. A paz de quem sabe estar sozinha porque quis e não porque a isso foi obrigada.
(Trecho do conto O beijo, escrito por JMS em 2005-2006)

27.12.06

Hoje é dia...


Faltam apenas 4 dias para sair 2006 e entrar 2007. Quem chegará primeiro, quem chegará por último? Aqui faz-se a contagem ao segundo.

As férias na neve conquistaram os portugueses e, de ano para ano, crescia o número de pessoas que as elegiam para o Réveillon... Mas eis que a falta de neve nas principais estâncias europeias, sobretudo nas mais em conta como a Serra Nevada, em Espanha, está a levar muitos a cancelaram as suas reservas à última da hora. Pois é, se no ano passado, por esta altura, já estava tudo esgotado para ir esquiar, agora está tudo cheio é para "fugir" do frio e ir ao encontro do calor. E quais são as preferências dos portugueses? Brasil, pois claro, com o Rio de Janeiro e as praias do Nordeste à cabeça, seguido das "Caraíbas dos pobres" (que é como quem diz República Dominicana e Cuba) e de Cabo Verde. É o que se pode chamar de entrar no novo ano "à sombra da bananeira", ou será antes do coqueiro?
Em contrapartida, e a avaliar pelas notícias mais recentes, destinos como a Indonésia, a braços com chuvas torrenciais, a Índia, com mau tempo e uma vaga de frio que está a deixar as autoridades preocupadas devido ao elevado número de sem-abrigos, ou Taiwan, vítima de um violento sismo que afectou as comunicações na China, Singapura e até no Japão, devem ficar de fora das cogitações de quem está à procura de um lugar exótico para entrar em 2007.


Três lugares onde não me importaria de aterrar nesta passagem de ano (mas sem constipação, por favor):


Sydney


(Fogos na baía de Sydney, direitos reservados)

Nova Iorque

(Times Square, direitos reservados)

Rio de Janeiro

(Fogos em Copacabana, direitos reservados)