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15.1.08

Rio: Copacabana

Calçada de Copacabana, criada por Burle Marx, D.R.


“A mão de Deus em tudo / Em Copacabana / O Rio bate um bolão / Garotas que passam têm lugar na canção” (Delírio dos Mortais, Djavan). Dou entrada no Copacabana Palace quando a tarde de sábado já vai a mais de meio. A piscina, há muito o coração social deste hotel, é agora também disputada por várias noivas, e respectivas entourages, que não se importam de pagar bem para que o seu dia de sonho inclua um cenário digno de capa de revista.


Fachada do Copa, D.R.


Há uns tempos, pediram que explicasse as razões que me levam a regressar aqui, ainda que prefira ambientes modernos e pequenos, e eu escrevi: “Regresso pelo conforto dos quartos, pelo empregado que se esforça em fixar o meu nome entre tantos, pelas orquídeas que trepam pelas árvores do pátio, pela feijoada de sábado, pelo brunch de domingo, e pela hora mágica em que as suas fachadas se alumiam. E também porque, para mim, a ideia de um dia perfeito no Rio termina com um banho ao luar, na piscina ancorada entre os restaurantes Pérgula e Cipriani”. A isto somo agora um outro atractivo de peso: um spa a cheirar a novo, de 700m² nas antigas Termas Copacabana, com acesso pelo edifício anexo, com belos apontamentos florais nas paredes, onde as empregadas usam havaianas em vez de sapatos e os tratamentos, a partir dos 35 euros, utilizam produtos das linhas Natura, Decleor, Wellness e Shiseido.


Piscina do Copa ao anoitecer, D.R.


Mas, Copacabana, por mais que a calçada ondulada projectada por Burle Marx continue apetecível (e a virar estampa de marcas como a Osklen), não se resume à bela fachada do Copa ou à Avenida Atlântica. Basta sair da beira-mar e entrar nas ruas interiores do bairro e sentir-nos-emos de imediato num outro “mundo”, que pouco ou nada preservou da aura mágica dos anos 50 e 60, tão bem ilustrados por Nelson Motta, o homem dos sete ofícios, em Ao som do mar e à luz do céu profundo. Uma outra época, em que o metro ainda não depositava centenas de pessoas vindas da Baixada fluminense nos congestionados areais e a vida corria a outro ritmo, com menos roubos, boates de quinta e prostituição de rua.

Sente-se, porém, ventos de mudança no ar. A prova disso são os novos quiosques da orla entre os postos 1 e 4, que trouxeram melhores condições sanitárias, maior conforto e uma infinidade de novos cardápios; a cozinha estrelada de Roland Villard em Le Pré-Catelan (Sofitel, Av. Atlântica, 4240); ou ainda a dupla de São Paulo que, depois de abrir o Copa Café (Av. Atlântica, 3056), inaugurou em 2007 o Atlântico (Av. Atlântica, 3880), uma mistura de lounge e restaurante, com arquitectura de Gilmar Peres, que já se tornou lugar da moda para ver e ser visto.


Um dos novos quiosques entre os postos 1 e 4, D.R.


Entre as novidades, conta-se igualmente uma roda gigante para breve, a ser instalada no Forte de Copacabana. Por ora, prefiro apontar o meu foco na direcção contrária, onde estão o Leme e a Urca, pensar na vista maravilhosa que tenho a partir do Morro do Pão de Açúcar e terminar com mais um verso cantado por Djavan: “Rio / Podem dizer o que quiser / Mas o xodó do povo / É o Rio / Casa do samba e do amor / Do Redentor / Louvado seja o Rio”. Ámen.

11.1.08

Rio: Leblon

Vista do Leblon e do Morro Dois Irmãos, D.R.


“Lá não existe / Felicidade de arranha-céu / Pois quem mora lá no morro / Já vive pertinho do céu” (Ave Maria no Morro, João Gilberto). Das ruas do Leblon ainda não dá para perceber, mas o crescimento da favela Chácara do Céu, no sopé do Morro Dois Irmãos, já começa a levantar muitos sobrolhos. Que o digam os moradores do Alto Leblon, tido como um dos bairros mais pacatos do Rio de Janeiro ― quase uma aldeia, reduto da alta burguesia carioca, onde ainda se cumprimenta o jornaleiro, as crianças brincam na praça e se pára no bar da esquina para dar dois dedos de conversa. Até ver, contudo, a aura residencial do Leblon, seguramente o bairro com mais vedetas por metro quadrado, mantém-se incólume, não obstante os seus luxuosos condomínios terem quase todos ultrapassado, em muito, a altura máxima outrora estabelecida em quatro andares.

Outra sua característica muito curiosa é a de ser praticamente auto-suficiente. Há de tudo: da praia badalada, com direito a segmento para as amas, aos melhores pontos de sumos naturais ― aconselho o Juice Co. Lounge (Av. Gen. San Martin, 889) e o Universo Orgânico (R. Conde de Bernadote, 26, lojas 105 e 106) ―, sem esquecer a animação nocturna, sobretudo no Baixo Leblon, com o Jobi (Av. Ataulfo de Paiva, 1166) à cabeça graças às mesas lotadas madrugada fora com cariocas e não cariocas em amena cavaqueira.


Andrea Prado e Christiana Guimarães, da Grã, D.R.


O melhor exemplo desta concentração está, todavia, na rua Dias Ferreira, repleta de óptimos restaurantes, livrarias, lojas ou até guloseimas inesperadas numa cidade tropical como sejam as 50 variedades de bombons artesanais da Envidia (nº106-A), nome sugerido pelo cantor Djavan, casado com uma das sócias. Como alternativa mais personalizada às boas marcas do Shopping Leblon (Av. Afrânio de Mello Franco, 240) e do São Conrado Fashion Mall (Estrada da Gávea, 899, São Conrado), existe nesta mesma artéria, no nº417, um prédio com vários estilistas por andar ― como Isa Lima (Domitila, sala 406), moda feminina muito colorida, ou Andrea Prado (Grã, sala 304), famosa pelas suas bolsas, carteiras e malas de viagem em couro, linho ou até palha de milho.


Estrada do Joá vista do La Suite, foto de JMS



Aproveito a boleia de um conhecido para me fazer a uma das estradas mais bonitas do Rio, suspensa em pilares, que serpenteia o trecho da orla entre São Conrado e o Joá. É aqui, debruçada sobre o mar, que fica La Suite (R. Jackson de Figueiredo, 501, tel. 0055 21 2484 1962). É a casa do francês François Dussol, que, após o lançamento da La Maison (a cargo do seu irmão Jacques) em 2004, na Gávea, descobriu este ponto excelente, nas imediações da praia da Joatinga, frequentada por surfistas. Felizmente, o La Suite recebe hóspedes, que podem assim optar por um dos sete quartos, cada um de uma cor diferente, com direito a estampas de Andy Warhol nas paredes e a um quinhão da vista só para eles. Em construção está uma piscina, daquelas que se perdem na linha do horizonte. O sossego é absoluto, a menos que seja dia de dar uma festa de arromba para algum VIP de passagem pelo Rio. Contam-me que o fotógrafo Mario Testino foi um dos felizardos.


Piscina do La Suite, D.R.

10.1.08

Rio: Ipanema

Piscina do Fasano com vista para o Morro Dois Irmãos, D.R.


“Cariocas são bonitos / Cariocas são bacanas / Cariocas são sacanas / Cariocas são dourados / Cariocas são modernos / Cariocas são espertos / Cariocas são diretos / Cariocas não gostam / De dias nublado” (Cariocas, Adriana Calcanhotto). O Arpoador, na divisa entre Copacabana e Ipanema, passou a ter um rival de peso na cobertura do novo hotel Fasano Rio na hora de admirar o mais elogiado pôr-do-sol da cidade. É também aqui que encontro a piscina, com serviço de bar, mais bonita de toda a cidade, com direito, para além do já citado fim de tarde, a vista desafogada para toda a marginal que se estende de Ipanema ao Leblon, entre a pedra do Arpoador, de um lado, e o Morro Dois Irmãos, do outro.


Fasano na esquina da Vieira Souto com a Joaquim Nabuco, D.R.


O Fasano, mais um nome de São Paulo que chega ao Rio para marcar a diferença, abriu as suas portas em Agosto de 2007. Instalado num prédio de oito andares, discreto mas que dá logo no olho, este Fasano depressa se tornou o ícone do novo Rio chique, apesar de ainda não estar tão afinado em matéria de serviço como o seu irmão paulistano. Seja como for, Rogério Fasano não brinca em serviço; quando se juntou aos outros investidores no projecto, já eles tinham então contratado o designer de interiores Philippe Starck, não abdicou de ter uma palavra a dizer.


Poltrona Big Mamma, de Gaetano Pesci, no corredor do Fasano, foto de JMS


Da “fricção” de génios e pontos de vista divergentes, nasceu um consenso que se traduz no seguinte: a classe de Rogério sente-se, sobretudo, na recepção (lindo o balcão de cinco metros e seis toneladas, todo escavado num tronco único de pequiá), no lobby (onde mistura reproduções de mobiliário brasileiro dos anos 50 e 60 com marcas registadas de Starck como os enormes espelhos ou as cortinas a separar ambientes, mas aqui em palha de seda), no Londra (o bar do momento, com quase 100 capas de LP’s da sua colecção privada a forrar as paredes) e no restaurante Fasano al Mare (a cargo do chef Luca Gozzani, Rogério bateu o pé que queria colunas como as do aeroporto Santos Dumont, mas permitiu os lustres fabulosos de Murano). Já Starck teve maior “liberdade” na piscina, nos corredores (foi sua a ideia de colocar as poltronas Big Mamma, de Gaetano Pesci) e nos quartos (muito confortáveis, tendo como marca registada o espelho “gota de água”, também utilizado para reflectir a paisagem).


Uma das suites topo de gama do Fasano, D.R.


Foi um investimento brutal, que implicou importar material topo de gama dos quatro cantos do mundo. Com um total de 92 quartos, do mais simples com cama king size à suite de luxo, é certo que apenas pouco mais de 40 dão directamente para o mar. Os restantes têm de se contentar com os fundos, mas até ai a filosofia da casa prevalece e argumentam que mais vale ficar no pior quarto do melhor hotel do Rio do que num quarto medíocre com vista panorâmica. É um ponto de “vista”.


Varanda com vista lateral de um dos quartos do fundo do Fasano, foto de JMS


Além de estar a mudar o perfil do Arpoador, o Fasano, na esquina da Joaquim Nabuco com a Vieira Souto, também veio tornar mais disputado o quinhão de areal frente ao posto 8. De todas as praias urbanas do Rio, Ipanema continua a ser a preferida, mas convém não fazer confusões; cada trecho de areal carioca tem a sua identidade: o célebre posto 9, outrora símbolo do movimento hippie e da resistência à ditadura, serve de ponto de encontro para os corpos mais enxutos do Rio, ao passo que entre o 8 e o 9, face às ruas Teixeira de Melo e Farme de Amoedo, é onde se reúnem gays, simpatizantes e musas que não se importam de dar a cara (os mais discretos preferem a Reserva, no Recreio). Não por acaso, uma das novas boates da moda entre o público GLS, o 69, fica na esquina da Farme com a Prudente de Morais, ao lado da choperia Devassa.


A praia frente ao célebre posto 9, em Ipanema, D.R.

Aliás, como em muitos outros pontos da cidade, aqui é fundamental ter, mais do que uma mera noção geográfica, uma percepção de como as coisas funcionam. Por uma questão de comodidade e segurança, os cariocas apreciam ter tudo o que precisam no seu bairro. Ipanema não é diferente e se o assunto é gastronómico, rume ao Quadrilátero de Charme, cheio de restaurantes e cafés recomendados. É precisamente neste perímetro que fica a mais nova casa de dois andares do Gula Gula (Rua Henrique Dumont, 57). Tudo começou com um modesto ponto no Leblon, onde o engenheiro Fernando de Lamare, o Fernandão, queria ocupar os dias de ócio. O sucesso foi tanto que hoje, passados mais de 20 anos, o seu filho Pedro e a neta, a chef Nanda, continuam o legado. Ao lado, no número 65-A, fica a Q-Guai, onde a dupla Amanda Haegler e Maria do Rosário encantam com três colecções ao ano de propostas femininas muito vivas e joviais.



Mas, em matéria de compras, não há como escapar à Visconde de Pirajá. Com trânsito nervoso e gente apressada como quase todas as avenidas no miolo do bairro paralelas à Vieira Souto, é aqui que encontro a minha livraria preferida no Rio, a Travessa (nº572), com café e uma filial no Shopping Leblon. Só perde em programação cultural para a Letras & Expressões (nº276). Entre as duas, no número 365, não tenho como falhar a Farm. Sem vitrina, a fachada da nova megaloja de 300 m2, é linda e já é conhecida por um fenómeno muito curioso: nos dias de maior movimento, os homens ― namorados, maridos, amigos, simples curiosos ― ficam sentados ou em pé nas escadas enquanto as suas acompanhantes, que se confundem com as vendedoras, conferem as novidades. A linha, alegre, colorida e descontraída, é a “cara da carioca” e o mérito é da estilista Kátia Barros (na foto), ela mesma uma filha do Rio, criada na praia do posto 6, que, apesar da expansão do negócio, não esquece que a sua inspiração está aqui.

A calar a boca dos que acusam Ipanema de se estar a “copacabanizar”, a Garcia d’Ávila (e, até certo ponto, a Maria Quitéria), perpendicular à marginal, é mais “o Rio a querer ser os Jardins, em São Paulo”; nota-se que as melhores marcas e restaurantes capricham especialmente na sua apresentação. Por oposição, o Mil Frutas Café, que ocupa uma loja para lá de acanhada no número 534-A, arriscava-se a passar despercebida, não fosse serem aqui vendidos os gelados mais amados da cidade.

8.1.08

Rio: Santa Teresa

Vista para a Baia de Guanabara, a partir da Mama Ruisa, foto de JMS


“Da janela, vê-se o Corcovado / O Redentor, que lindo!” (Corcovado, António Carlos Jobim). Não é só o Corcovado, nem a baía de Guanabara, que eu avisto da varanda do Mama Ruisa. Situado numa ladeira de Santa Teresa, este antigo casarão, como tantos outros que existem por aqui, belíssimos, foi comprado pelo francês Jean-Michel Ruis e transformado numa pousada de muito bom gosto, onde não faltam apontamentos como as cadeiras Anel, criadas pelo falecido designer brasileiro Ricardo Fasanello ― cujo atelier (e produção) é mantido pela sua família no nº42 da rua do Paraíso.


Sala de estar da Mama Ruisa, Santa Teresa, foto de JMS


Neste bairro altaneiro existem ainda outras três ― Solar da Santa, Castelinho 38 e Rio 180 ―, surgidas entre 2006 e 2007, também nas mãos de estrangeiros que se apaixonaram pelo local; sem mencionar as casas de moradores, mais modestas, que aderiram ao conceito de cama e café de Leonardo Rangel e João Vergara. É, Santa Teresa está na moda.


Piscina da Mama Ruisa, Santa Teresa, foto de JMS


Para quem chega à espera de encontrar um bairro boémio e popular, que se tornou conhecido pelos blocos de Carnaval de rua, bares e ateliers, vai ter de se conter para não se sentir arrebatado pelo seu dédalo de ruas e ladeiras a pique, entre bolsas de verde e vistas panorâmicas, pelo acervo do museu Chácara do Céu (R. Murtinho Nobre, 93), antiga casa do coleccionador Raymundo Castro Maya, ou ainda por um prazenteiro almoço de domingo no Aprazível (R. Aprazível, 62), um restaurante que mais parece um refúgio, escondido entre denso arvoredo, com cozinha brasileira esmerada e recomendada.



Aprazível, Santa Teresa, foto de JMS


Podem subir a Santa Teresa de táxi, mas nada se compara a uma viagem no histórico “bondinho”, que atravessa os Arcos da Lapa, um aqueduto do século XVIII ― saídas da rua Prof. Lélio Gama, junto ao edifício da Petrobrás e da cónica catedral Metropolitana, talvez a obra mais incompreendida e mal-amada de Oscar Niemeyer.

12.12.07

St. Moritz: parte 1

Vista do quarto 409 do Badrutt's Palace, em St. Moritz


À entrada está estacionado um dos Rolls-Royce do hotel. O taxista, português como quase todos aqui, faz a manobra possível para me deixar o mais perto que consegue da porta principal, mas, ainda antes de perguntar quanto lhe devo, já me está a responder a uma outra questão que não fiz. Não em voz alta, pelo menos. A temporada está só a começar e ainda é demasiado cedo para as celebridades que, ano após ano, colocam St. Moritz nas páginas das revistas cor-de-rosa.

A reabertura do Badrutt’s Palace, que se dá religiosamente a 5 de Dezembro, é um catalisador da agenda social de St. Moritz. Não é para menos. Se esta estância fez do Inverno um acontecimento ansiosamente aguardado, tal só foi possível porque um senhor chamado Johannes Badrutt, após a compra de uma pensão de 12 quartos que esteve na origem do que é hoje o hotel Kulm, viu no vale de Engadine, no cantão suíço de Graubünden, perto da fronteira com Itália, potencial para tal.

É claro que na altura, em 1864, a ideia soava a um perfeito disparate; afinal, quem se podia dar a esse luxo tinha precisamente por hábito “refugiar-se” nas zonas mais temperadas da Europa para escapar aos rigores da estação. Foi então que Badrutt desafiou quatro amigos britânicos que costumavam passar o Verão no vale: eles voltariam no Inverno com a premissa de que se não gostassem, ele assumiria todas as despesas da sua deslocação e estada. Como acharam que não tinham nada a perder, aceitaram o repto, mas gostaram tanto que chegaram antes do Natal e só se foram embora depois da Páscoa.

O resto é história. O Badrutt’s foi o primeiro hotel dos Alpes a ostentar o nome Palace ― e o primeiro também a inaugurar uma arquitectura algo pesada que viria a fazer escola, arriscar-me-ia a acrescentar ― e só não perdeu a conta a todas as figuras sonantes que já acolheu ao longo dos tempos porque as suas identidades, e respectivas histórias, ficam devidamente registadas nos anais. É assim até hoje por mais sombra que lhe façam os seus concorrentes directos ― o Kulm, a Suvretta House e o Carlton, este último, aliás, reabriu em Dezembro, depois de uma remodelação de 40 milhões de euros, como o primeiro hotel de luxo da região só com suites.

Quem não está habituado a frequentar St. Moritz pode interrogar-se como uma cidade pequena, com uma população fixa que não chega aos seis mil habitantes, pode sobreviver apenas com duas temporadas ao ano ― de Dezembro a Abril e de Junho a Setembro ―, ficando os restantes meses adormecida e quase sem actividade. Pois tal só é possível porque para o grosso dos visitantes ― cerca de 63% são estrangeiros, com a Alemanha e a Itália na dianteira, a que não serão alheios a proximidade geográfica e o facto de aqui se falar alemão e romanche ―, independentemente de ter mais ou menos pergaminhos, de ser mais ou menos mediático, dinheiro não é problema e vêm dispostos a gastar muito em pouco tempo. Tão simples quanto isto.

E o que tem St. Moritz, e o Badrutt’s já agora, de tão especial para merecer a fidelidade de pessoas que vieram de férias com os seus pais e agora continuam a vir com os seus filhos? Da varanda do quarto 409, virada para o lago, avisto uma cidade dividida em Dorf, o centro com os seus hotéis, lojas e chalés, e Bad, a periferia com blocos de apartamentos e centros desportivos. Gostaria de dizer que formam um todo harmonioso, mas estaria a fugir à verdade.

Na realidade, o que explica até certo ponto o apelo irresistível de St. Moritz é, para começar, a sua localização, entre montanhas e à beira de um lago, mas também, e sobretudo, uma vivência mundana muito própria proporcionada por locais badalados, eventos como corridas de cavalo e campeonatos de pólo no gelo que obrigam a reservar alojamento com grande antecedência e uma mão cheia de chefes talentosos que, longe de se limitarem a recriar especialidades locais como a gulosa tarte de nozes e mel, podem praticar uma cozinha de autor e fazer-se cobrar por isso. Só depois vêm o esqui e os outros desportos.

Pode parecer que estou a perverter a ordem natural das coisas, mas, ironias à parte, não ando muito longe da verdade. O Badrutt’s, mais uma vez, é bom barómetro deste frenesim social de St. Moritz. Claro que o hotel leva os seus hóspedes até ao funicular e vai buscá-los no regresso com direito a chocolate quente, mas o que parece contar mesmo é que entre os seus restaurantes possui um Nobu, o japonês mais famoso do mundo; que os muitos cadeirões e sofás do seu grande hall não chegam para sentar toda a gente que ali se reúne no pós-esqui para ver e ser vista; ou ainda que o seu concièrge não se acanha, como assisti certa noite, a fazer os telefonemas necessários para conseguir uma passagem aérea de última hora entre Nova Iorque e Casablanca se isso lhe for pedido.


Chesa Futura, em St. Moritz, D.R.


Seja como for, St. Moritz não se resume aos salões do Badrutt’s. A abertura oficial da temporada de Inverno 2007-2008 começou a 24 de Novembro, mas, à semelhança do que sucedeu em anos anteriores, a maioria dos estabelecimentos só reabre entre a segunda e a terceira semanas de Dezembro. Acontece que as condições meteorológicas dos últimos meses têm permitido honrar, como uma fartura como há muito não se via, a tradição de St. Moritz, que se gaba de possuir neve de 1 de Dezembro a 1 de Maio, pelo que alguns, não muitos, anteciparam a sua abertura. Melhor ainda quando à neve se junta um sol radioso, o que parece não ser nada de extraordinário por aqui ― os manuais locais, pelo menos, não se cansam de frisar que tal fenómeno se deve à alta atitude e ao alinhamento das montanhas.

Do conjunto de montanhas com infra-estrutura para a prática de desportos de Inverno que cerca St. Moritz, Corviglia é, sem dúvida, aquela que fica mais acessível. O funicular sai da via San Gian, mas obriga a uma mudança em Chantarella. Vale a pena fazer uma paragem aqui, sobretudo ao entardecer, pois é um dos melhores pontos de observação da cidade à beira do lago e uma boa maneira de apreciar de perto os chalés rústicos e os blocos de apartamentos, destinados apenas aos muito ricos, que cravaram os seus alicerces nas encostas íngremes.

É o caso da Chesa Futura. Desenhado pela firma de arquitectura do britânico Norman Foster, o arquitecto-estrela armado cavaleiro pela rainha, este bloco de apartamentos ― e diz-se que Foster, incondicional de St. Moritz, reservou a penthouse para si ― foi construído em madeira, vidro e aço e, como começa ser hábito na obra mais recente de Foster, a sua peculiar forma orgânica já lhe valeu a alcunha de “amendoim”. Parece-se mais a um feijão, mas o certo é que criou uma nova marca indelével na paisagem da cidade. Depois, goste-se ou não, faz uma fusão notável entre a engenharia de ponta e técnicas locais ancestrais de construção.

28.11.07

Golegã (1): o hotel

Pela cortina mal fechada entra um feixe de luz que se detém no tecto e faz sobressair, como na técnica do claro-escuro, os seus ângulos agudos. A custo, separo-me do edredão fofo e vou até à janela. A neblina chegou de mansinho pela noite e não se foi embora. Distingo na bruma o casario baixo circundante, tão típico da Golegã, e o chalé de Carlos Relvas, mas não avisto, para lá dos limites da vila, a campina, com as suas alvercas e chaboucos, que ainda ontem lá estava. É tempo de descer, tomar o pequeno-almoço e o sol dar-nos-á um ar da sua graça. Mesmo num dia de Inverno como este.


Estúdio-museu Carlos Relvas, D.R.

Quem se habituou a associar a auto-proclamada capital nacional do cavalo ao rebuliço das duas primeiras semanas de Novembro, altura em que a Golegã atrai a si apreciadores e curiosos do mundo inteiro, talvez demore a acostumar-se à pacatez com que se vive aqui no resto do ano. O Hotel Lusitano, inaugurado há cerca de um ano, pretende beneficiar da proximidade de Lisboa ― sem trânsito, a viagem faz-se em menos de uma 1h30 ― para dar a conhecer a hospitalidade e a paisagem ribatejanas. Mas não vão à espera do óbvio. Do mesmo modo que estilizaram a figura do cavalo para fazer dele o seu ícone, apenas presente em subtis pormenores, Teresa e Raquel, duas engenheiras de formação que se encarregaram dos interiores, não recriaram no hotel a casa ou a quinta ribatejanas.


Vista geral do jardim e da ala nova


Sala de estar

José Dias Vieira comprou um belo casarão antigo a dois passos da igreja matriz e do pelourinho. Nele viviam antes duas irmãs idosas para quem a casa assimétrica de dois pisos se tinha tornado grande demais. O projecto de conversão em hotel foi então entregue ao arquitecto Francisco Quintanilha, entretanto falecido, que tratou, entre outras coisas, de altear o sótão para ganhar um segundo piso e de construir uma nova ala assumidamente contemporânea por contraste ao edifício original.

Bar visto a partir da sala de estar

Resolvida a questão arquitectónica, Teresa e Raquel, noras do proprietário, chamaram a si o desafio de dar conteúdo a um hotel de 24 quartos, em que apenas quatro são iguais, e transformá-lo numa unidade de charme contemporâneo, sem cair no cliché do design pelo design ou na tentação de enveredar pelo exótico-rural. Aproveitaram soalhos flutuantes, portadas e portas de origem, como a que separa a sala de estar do bar (e que se repete, no primeiro andar, no quarto 115), e trataram de as combinar, na casa antiga, com tons neutros e achocolatados, tecidos agradáveis ao toque, painéis em madeira rendilhada (há um particularmente bonito por cima da lareira, na sala), gravuras de Martins Correia cedidas pelo Museu Equus Polis e muitas peças escolhidas a dedo que Teresa, graças à sua loja de decoração (teresamatos@soladrilho.pt), garimpou junto de vários designers e artistas plásticos nacionais e estrangeiros.

Jarras sete dias criadas pela Tsé & Tsé


Almofadas de Teresa Martins

E foram detalhes como as almofadas bordadas de Teresa Martins, os apliques de parede Caboche, desenhados por Patricia Urquiola e Eliana Gerotto para a Foscarini, os candeeiros de Luísa Peixoto ou as jarras sete dias de cor opalina, de Sigolène Prébois e Catherine Lévy para a Tsé & Tsé, que não passaram despercebidos à revista Condé Nast Traveler e que já levaram as duas a serem convidadas para decorar um projecto nas ilhas Caimão. Aliás, todo o mobiliário escuro dos quartos, com linhas simples e ângulos rectos, é da sua autoria, sendo apenas combinado com roupa branca nas camas e tecidos, de cor verde ou laranja, da Designers Guild a forrar cadeiras e otomanas.

1.10.07

À vista

(Guggenheim Bilbao, D.R.)


Nova viagem de trabalho à vista.
Graças a ela vou poder regressar a uma das minhas cidades de eleição em Espanha: Bilbau. Desta vez, porém, espero ter oportunidade de explorar também outros pontos do País Basco. Será igualmente um bom pretexto, espero, para revisitar a arquitectura de Frank O. Gehry. O Guggenheim, em forma de flor metálica, já eu conheço, mas é sempre um acontecimento, sobretudo agora que comemora dez anos de existência. Mas, curioso mesmo eu estou é para espreitar, finalmente, o hotel Marqués de Riscal, que parece ter aterrado na região espanhola de Álava, onde se produz o Rioja.
Para além do traço ondulante de Gehry, por si só uma atracção pelo contraste que forma com as adegas desenhadas em 1958 por Ricardo Bellsola, o Marqués de Riscal possui apenas 43 quartos e suites, divididos em dois edifícios ligados por uma ponte pedonal suspensa. Situado na aldeia medieval de Elciego, a pouco mais de 100 km de Bilbau, em plena vinha dos herdeiros do Marqués de Riscal, o hotel aposta na exclusividade do design e na alta tecnologia (há acesso WIFI à Internet em todas as áreas).
Ainda não será desta que ficarei ali hospedado, mas de um bom almoço não me livro - Francis Paniego ganhou em 2004 a sua primeira estrela Michelin com a sua cozinha de fusão
.



(Marqués de Riscal, D.R.)

5.2.07

De amor e comida

A propósito do Dia de São Valentim, a minha caixa de correio electrónico vive agora em total desassossego. Todos os dias, recebo propostas, vindas dos quatro cantos do mundo, para celebrar a data em grande estilo. Ao invés de me pôr a tecer considerações sobre o que acho ou deixo de achar sobre o fenómeno, resolvi destacar duas que, confesso, ganharam a minha atenção. Ponto a favor para a estratégia de marketing.


1. O preço não é para todos (€400 por casal), mas todos deveriam ter o direito de, pelo menos uma vez na vida, se regalarem com um festim idêntico ao que o Hotel Pestana Palace, em Lisboa, preparou para o jantar de São Valentim. O Chefe do restaurante Valle Flor convidou Yann Duytsche, reputado chefe pasteleiro francês, que assumiu a direcção técnica da casa de chocolate Valrhona, em Barcelona, para fazer as honras da casa. O menu vem em francês e eu, para não desrespeitar uma das línguas do amor, vou manter-me fiel ao original na transcrição.


(Yann Duytsche, direitos reservados)


Saint Valentin " chocolat fusion "

une royale sensation:

le filet de lapereau braisé à la lie de vintage et baies de genièvre en robe de guanaja...
fleur de pensée


une explosion insolite:

bonite a dos rayé rôti au sancho et coriandre
pâte de fruits à l´olive dans un bonbon au manjari fumé


une douceur salée:

foie gras au grué sauté, saupoudré de cacao carotte et orange au coeur de pur caraïbe comme un soufflé

une fête mexicaine:

cernier rôti au molé de xocopili, manioc et racine de lotus

bouillon de clovisse citronnée et espuma d´ivoire


notre ex-libris:

le paleron de boeuf fermier étuvé lentement aux fèves de cacao sur une écrasée de panais et copeaux de caogrande
crème fondante ivoire clou de girofle, neige de fromage de chèvre frais
et croustillant coco, lanières de céleri branche crème glacée jivara lactée, compote d'abricot vanille tahitensis et fleur de bière ....terre de grué de cacao caramélisé... Soufflé coulant de chocolat noir Araguani accompagné d'une crème glacée, jus de gingembre frais... Café et trois petits-fours : macarons manjari coriandre, carré framboise anis, Guanaja et crescendo citrik ivoire

Vinhos

Vinhos seleccionados pela escanção Ana Paula Lopes



2. A proposta do restaurante
Porto Novo, no Sheraton Porto Hotel & Spa, também prima pela originalidade e apostou em grandes sucessos literários para despertar a gula dos enamorados. Cliquem na imagem e leiam o cardápio.


1.2.07

Agenda (1)

VINHOS & GASTRONOMIA

Quinta de San Joanne 2003 e 2005
Lingua de Bacalhau escalfada em “Quinta de San Joanne 2003” e vieira sauté
Sopas de batata roosevelt aromatizada com azeite virgem e “ Quinta de San Joanne 2005”

*****
Polvo no Forno a Lenha com risotto “ Porta Fronha 2005 tinto”
Molho de Pimenta Rosa e “Quinta de San Joanne escolha 2003”

Quinta da Vegia 2005 tinto
Pintada com Túberas assada no Rotisseur, com molho de “Quinta Vegia 2005 tinto”
Castanhas salteadas com bacon e cebolinhas

*****
Espumante Quinta de San Joanne Reserva Bruto 2002
Bolo Sacher Tort com Sorvete de Espumante Quinta de San Joanne Reserva Bruto 2002
Molho de Frutos vermelhos e crocante de canela

*****
Café



QUANDO ONDE COMO
Data: 2 de Fevereiro de 2007
Horário: 20h30
Local: Restaurante Porto Novo
Sheraton Porto Hotel & Spa
Reservas: 220 404 000
Preço por Pessoa: € 45

17.12.06

Natal no Mundo (4)

(Natal 2006 na Orchard Rd., Singapura, direitos reservados)

Parte um
Ainda não fui a Singapura, mas tenho curiosidade. Há ali algo de deliciosamente kitsch que me atrai. À partida, não lembra a ninguém passar ali o Natal, o certo é que nesta pequena Cidade-Estado, famosa por levar o seu rigor ao ponto de multar o infractor apanhado a largar pastilha elástica onde não deve, a época é assinalada com pompa e circunstância. Ávida de imitar o Ocidente, mas sempre com um toque local, Singapura cria a sua pópria alegoria natalícia, em especial na famosa Orchard Road, que se transforma por completo e quase encadeia quem passa.


(Natal 2006 em Singapura, direitos reservados)


Se querem saber mais sobre o que se está a passar, carreguem
aqui.

Parte dois

(New Majestic Hotel, Singapura, direitos reservados)


Sei que Singapura não fica ali ao virar da esquina, mas, já que toquei no assunto, não resisto a juntar à lista um dos hotéis que descobri para a Volta ao Mundo, edição de Novembro de 2006. Num momento em que se banalizou o conceito de design hotel, a chegada do New Majestic, em Singapura, arriscava-se a passar despercebida. Acontece que este hotel, localizado num antigo armazém do bairro de Chinatown, não tem como ser ignorado, pois é talvez ― arrisco-me a dizer ― um dos mais imaginativos e surpreendentes hotéis dos últimos tempos. Se ficar pelo conceito de “New Asia” e pela mera descrição de que, no Majestic, se mistura mobiliário colonial de Singapura com peças de design mais contemporâneo ocidental, não estou a fugir à verdade; mas não basta. Para lhe fazer inteiramente justiça, tenho de falar, para começar, nos quartos: apenas 30 e todos diferentes, mas arrumados em categorias como “Ver e ser visto” (onde o forte é o jogo de espelhos); “Cama suspensa” (com camas enormes presas ao tecto), “Loft” (o quarto fica numa espécie de sótão), e “Aquário” (com uma banheira em vidro no meio da divisão). Existem também cinco quartos conceptuais ― Fluid, Work, Wayang, Untitled e Pussy Parlour ― concebidos por cinco artistas a quem foi dada total liberdade de criação. Por todo o hotel, gravuras, aplicações, ícones, mensagens visíveis apenas de certos pontos ou murais, criados de propósito por uma mão cheia de novos talentos locais. Voltando às camas, é bom que se diga que a sua roupa é um assunto à parte e que não se mediram despesas (desde almofadas e edredões de penas de ganso a lençóis de puro algodão com 280 fios).


(New Majestic Hotel, Singapura, direitos reservados)


Nas casas de banho, os produtos “oferta da casa” são todos da Kiehl’s. Com a imaginação a ditar a diferença, é claro que os uniformes do pessoal do hotel marcam pontos, num estilo informal e moderno a fugir para o tropical, e que a piscina é um lugar à parte, pois o seu fundo em vidro fragmentado faz as vezes de tecto do restaurante.


(New Majestic Hotel, Singapura, direitos reservados)


Feita a descrição, imagino que já estejam a pensar: muito bonito, mas e o preço? Pois bem, a diária começa nos 120 euros, o que me parece muito razoável tendo em conta a qualidade e o facto de, hoje, hotéis semelhantes custarem por vezes uma verdadeira fortuna.

Parte três

(Foster and Partners, direitos reservados)

Fixem bem a torre iluminada ao centro... Agora desviem, devagar, o olhar para baixo, ligeirmente à direita. O que é aquilo? É um disco-voador? Um novo clube nocturno? Um restaurante panorâmico? Nada disso. Trata-se, e só, do Tribunal Supremo de Singapura, inaugurado em 2005. Não é de agora que Singapura aderiu ao traçado futurista de inúmeros arquitectos de renome mundial, mas este edifício, criado pela firma do arquitecto britânico Sir Norman Foster (o mesmo que está a mudar a Londres ribeirinha e a quem foi confiada a conversão do Aterro da Boavista, em Lisboa, ver também aqui), marca a diferença e o seu ar de nave espacial tem dividido opiniões. Instalado na margem direito do Rio Singapura, perto do Parque Padang, o complexo judicial incorpora vários tribunais e foi concebido para passar uma imagem de dignidade, transparência e abertura. Uma coisa é certa, de noite ou de dia, quem passa por ele não fica indiferente.

11.12.06

Adão e Eva: o paraíso revisitado

Primeiro aguçaram a nossa curiosidade assim…

Depois tentaram-nos com uma maçã. Mas não uma maçã qualquer…

… até que se deixaram de coisas e revelaram ao mundo do que, afinal, se trata: uma nova cadeia de hotéis que responde pelo sugestivo nome de Adão & Eva. Não se apressem, todavia, a tirar conclusões precipitadas. A julgar pela primeira unidade a abrir as suas portas, em Belek, na Riviera turca (a cerca de 45 minutos de Antalya), os promotores do projecto estão mais interessados em reinventar o conceito de paraíso na terra do que insistir na ideia de pecado original. Para tal, o hotel encontra-se junto ao mar Mediterrâneo, mergulhado num vasto manto verde, mas o bucolismo óbvio termina aqui, pois toda a estética das instalações está mais virada para a ficção científica do que para o celestial.




Só para terem uma ideia, até os quartos mais simples possuem um intricado jogo de reflectores nas paredes que permitem ter como cenário, conforme o ângulo, vistas do mar ou da floresta. Quando se cansarem de tanta vista panorâmica, basta carregarem num botão e, puff!, o quarto fica isolado do mundo exterior. De resto, saliento a ideia de colocarem uma banheira para dois no meio do quarto (só por causa das coisas), mas aviso que a cabina de chuveiro possui sauna, banho turco e dá música.




Aliás, e por falar em música, o hotel aposta em Dj’s para organizar festas e animar os serões, baralhando também as regras da hotelaria convencional ao colocar à disposição dos hóspedes, ao invés dos previsíveis jantares à luz de velas, simulações de voo, caminhadas, passeios de balão, parasailing, escalada ou vários tipos de piscinas. Apesar de tudo, o hotel incentiva os casais com filhos a trazerem-nos, mas não deixa de ter um clube só para as crianças. Não vão os pais querer cair em tentação.