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25.12.06

Natal no Mundo (12)

(Iluminação de Natal junto ao Arco da Rua Augusta, Lisboa, direitos reservados)

Há coincidências curiosas. Iniciei esta viagem virtual pelo Natal no Mundo numa data perfeitamente aleatória, mas eis-me chegado ao dia 25 e ao número redondo de 12. Nem de propósito. Para terminar o meu périplo não podia eleger outra cidade. Ou melhor, até podia, mas não me apetece. Por todos os motivos, só pode mesmo ser Lisboa. A cidade onde nasci e vivi a maior parte da minha vida. É também a ela que estão associadas, desde sempre, as minhas recordações de Natal. A fotografia foi tirada no Chiado, num final de tarde por aquelas bandas. Do que vi na capital, pareceram-me ser das iluminações natalícias mais bem conseguidas.

Feliz Natal/Merry Xmas!

P.S. A pedido da Suzi, fui à procura de outra imagem de Natal em Lisboa para colocar e acabei por descobrir que a empresa portuguesa Castros, responsável pelas iluminações natalícias na capital e também em Londres, foi eleita, pelo segundo ano consecutivo, como a melhor da Europa. Está de parabéns. Ler mais aqui.

24.12.06

Natal no Mundo (11)

(Árvore de Natal em Hong Kong, China, direitos reservados)

Véspera de Natal. É engraçado como a loucura dos últimos dias de preparativos precipita tudo e, num abrir e fechar de olhos, já chegámos. Agora é tratar de desacelarar para que, quando dermos por isso, ele não tenha já passado a correr.
Hoje elegi novamente uma paragem longínqua, aparentemente inusitada, mas que me fascina pelo seu turbilhão de luzes e pela forma como se constrói. Há ali qualquer coisa de eterno reclamo luminoso. Plástica, demasiado plástica, dirão alguns. Talvez. Mas não desgosto.
Então, Hong Kong festeja o Natal? Claro que sim. Não nos esqueçamos que ela foi, durante vários séculos, uma possessão britânica.

Feliz Natal/Merry Xmas!

23.12.06

Natal no Mundo (10)

(Iluminações de Natal na Praça Vermelha, Moscovo, direitos reservados)

O Natal está quase, quase aí. A minha ronda virtual está prestes a terminar. É curioso que me lancei este desafio, de postar por dia uma cidade diferente onde a quadra seja de alguma forma assinalada, sem ter muita noção se iria ser ou não fácil arranjar material para ilustrar o meu propósito. Confesso que houve dias em que não me apeteceu de todo, ou que me apeteceu menos, cumprir o ritual, mas persisti. Não por achar que teria reclamações ou que iria haver quem sentisse a falta, mas por uma questão de princípio. Afinal, ter um blogue também é isso, um compromisso.
Para hoje, em antevéspera de Natal, escolhi Moscovo. O calendário ortodoxo não coincide com o católico, pelo que o verdadeiro Natal russo só será celebrado mais tarde, já em Janeiro se não me atraiçoa a memória, mas a cidade enfeita-se logo a partir de Dezembro. Não resisti à imagem da Praça Vermelha iluminada, nem ao postal tradicional da época. Tudo à boa maneira russa.
Aos que continuam a passar por aqui, reitero os meus votos de Feliz Natal/Merry Xmas!

22.12.06

Natal no Mundo (9)

(Iluminações de Natal em Londres, direitos reservados)

Londres possui uma forte tradição nesta quadra, sendo recorrente como cenário para muitos filmes e contos alusivos a esta época. Um pouco por todo o lado, a cidade aposta forte nas iluminações de rua, nos mercados e nos ringues de patinagem no gelo (actualmente, o mais famoso é o da Somerset House, no Strand), mas armazéns famosos como o Harrods fazem questão de, todos os anos, surpreender os transeuntes com decorações natalícias planeadas até ao mais ínfimo pormenor. A enorme árvore de Natal de Trafalgar Square (na foto), oferecida pela Noruega como é da praxe, não chega a ser tão mediática como a de Nova Iorque, mas é um cartão postal incontornável. Mais informações aqui.
Este ano, porém, Londres está a deixar um amargo de boca devido às graves condições climatéricas registadas nos últimos dias (ler mais), o que obrigou, só hoje, a cancelar mais de 350 voos em Heathrow, um dos maiores aeroportos do mundo e a mais importante placa giratória de passageiros em trânsito. Estima-se que mais de 40 mil pessoas tenham sido afectadas por este contratempo, correndo algumas delas o sério risco de não chegarem a tempo de passar o Natal nos seus destinos. Segundo informações mais recentes, prevê-se que nos dias 23 e 24 de Dezembro a situação normalize.

Feliz Natal-Merry Xmas!

(Hergé, direitos reservados)

Já que estou numa de Tintin, fui desencantar este postal para desejar a todos aqueles que por aqui passarem um Feliz Natal/Happy Holidays!

21.12.06

Natal no Mundo (8)

Post dedicado aos cariocas de gema e de coração.

(Fogos na inauguração da Árvore de Natal, Rio de Janeiro, direitos reservados)

No Rio de Janeiro, a chegada do Natal marca também a entrada no Verão. A “Cidade Maravilhosa”, à beira-mar plantada, torna-se mais aberta e despojada. No nosso imaginário, treinado desde a mais tenra idade para associar à época frio e roupas pesadas, não há grande espaço para uma visão assim, mas, como já dizia Fernando Pessoa, primeiro estranha-se… e depois entranha-se. O certo é que os cariocas não dispensam o calor da festa nem as rabanadas à sua mesa em noite de Consoada. Cá como lá. Já falei aqui dela, da Árvore de Natal flutuante na Lagoa Rodrigo de Freitas, um símbolo do Natal carioca dedicado à família brasileira, mas outros eventos alusivos à quadra, como feiras, coros e exposições, acontecem um pouco por toda a cidade. Destaco duas coisas: a iluminação do Palácio da Ilha Fiscal (na foto acima), onde teve lugar o último baile do Império, e a Casa Julieta de Serpa, de que falarei a seguir.

Parte dois

(Natal 2006 na Casa Julieta de Serpa, direitos reservados)

O Flamengo, juntamente com o seu vizinho Botafogo, foi das primeiras localidades à beira-mar a serem ocupadas depois do centro da cidade, nos anos 1600, pelo que exibe ainda hoje, e à vista desarmada, resquícios de uma época em que era eleito para morada de famílias endinheiradas. É certo que o “cachet” de outrora mudou de endereço (está agora no Leblon e mais além, a oeste) e que o bairro se tornou popular, mas um passeio a pé por ali ainda nos revela mansões e villas mais ou menos intactas. Sem muito tempo para andar à deriva, fui direito ao casarão que mais me interessava, no nº340 da Praia do Flamengo.
Cheguei ali por indicação amiga, mas devia andar muito distraído para não ter reparado antes no endereço que se tornou moda entre a alta burguesia carioca e que tem servido de cenário a tudo o que é produção fotográfica com estrelas da televisão e do teatro. Trata-se de um legítimo palacete neoclássico, construído no início do século passado, que acolheu por cerca de 80 anos a família Seabra. Conta-se que surgiu como prova de amor de um homem que desejava oferecer a mais bela casa de então à sua jovem mulher, mas o facto de ter chegado aos dias de hoje, a funcionar como a Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, também não deixou de ser um acto de filantropia. É que depois de vendida pelos herdeiros, a casa esteve para ser demolida para dar lugar a um imóvel mais rentável, mas o professor Carlos Serpa de Oliveira comprou-a e resolveu fazer dela um espaço polivalente dedicado à memória de sua mãe, uma amante da cultura e das artes.

Com uma arquitectura elegante e um recheio faustoso, que inclui vitrais, mobiliário, tapetes e até portas vindos da Europa, a casa causou sururu num Rio dado à informalidade, mas que não dispensa um toque do “velho mundo”. E como cultura é bom, mas não consegue por si só custear a manutenção de um palacete, o professor, que se prepara para abrir em breve um antiquário nas águas furtadas, teve a ideia de aproveitar as várias divisões para criar um restaurante de alta gastronomia (Le Blason), um salão de chá (Salon d’Or), um piano bar (J Club), um bistrô provençal (instalado na antiga cozinha), e um espaço todo modernaço, onde o neoclássico é misturado com peças de design contemporâneo, para refeições ligeiras e lanches. Nesta última área, com cortinas suspensas, a colagem deliberada ao estilo habitual de Philippe Starck espantou-me, mas o impacto é garantido. Pelo meio, há quem acuse a casa de pretensiosismo e de desajustada à realidade carioca, mas, o certo é que os seus eventos vivem lotados e na programação cultural não faltam exposições e sessões de cinema e teatro para crianças desfavorecidas (como na foto acima).


(Presépio da Casa Julieta de Serpa, direitos reservados)

Quem vem de fora achará, porventura, demasiado “afrancesado”, mas que isso não nos impeça de partilhar a alegria de quem ali vive e delira com uma casa que, em pleno Natal tropical, não tem pejo em se enfeitar a rigor com o maior presépio da cidade e de se deixar embalar pelos cânticos que vieram do frio. Afinal, são as contradições que tornam também o Rio irresistível. (trecho adaptado da reportagem “Cidade de Deus e do Homem”, publicada pelo autor na revista Volta ao Mundo, Dezembro de 2006)

20.12.06

Natal no Mundo (7)

(direitos reservados)

Parte um
Deu hoje nas notícias, logo é oficial. O Pai Natal deixou a sua oficina na Lapónia para começar a distribuição dos presentes. E porque a tradição ainda vale o que vale, consta que os prestáveis gnomos deram a devida assistência, eles que não têm sossego durante todo o ano a produzir os brinquedos, e que saiu montado no trenó puxado por renas. O seu saco continua a ser como a mala do Sport Billy (só os mais velhos vão entender esta…): não tem fundo.

Parte dois
Ohne blitz bitte. Utan blixt tack. El salamaa kiitos. Várias línguas para dizer o mesmo: nada de flashes na cara do Pai Natal! Um pedido mais do que razoável, pois, apesar do ar bonacheirão e da infinita paciência para responder, horas a fio, às solicitações de miúdos e graúdos, a versão finlandesa do Pai Natal é de carne e osso como toda a gente. A Santa Claus Village, situada no Círculo Árctico, a cerca de nove quilómetros de Rovaniemi, capital da Lapónia, é ponto obrigatório de romaria para os milhares de turistas que visitam a Finlândia. Trata-se, por isso, de um sítio “para turista ver e pagar” ― com as lojas de souvenirs da praxe ―, mas, ainda assim, das duas vezes que ali estive em trabalho, consegui reconhecer-lhe alguma piada. Nem que seja pela cara de felicidade dos miúdos… Uma visita virtual pode ser feita aqui.

19.12.06

Natal no Mundo (6)

(Natal nos Campos Elísios, Paris, direitos reservados)

Parte um
Na minha viagem virtual pelo Natal não podia deixar de fora Paris. É, assumidamente, uma das minhas paixões. E tanto se me dá se os parisienses fazem ou não cara feia. É a “Cidade-Luz” por excelência e o epíteto traz-lhe responsabilidades acrescidas na hora de bem se iluminar. Aliás, o momento em que a decoração natalícia dos Campos Elísios é revelada ao mundo já se tornou um clássico da época e, todos os anos, é convidada uma personalidade ou celebridade para carregar no botão. Este Natal coube ao cantor Florent Pagny, infelizmente pouco conhecido entre nós, a honra. A tradição manda que a cidade se encha também de mercados de Natal e que até não falte um ringue de patinagem no gelo junto ao Hôtel de Ville, mas as decorações natalícias das vitrinas mais famosas de Paris são um espectáculo à parte. Daí não ter resistido a incluir uma imagem do armazém Printemps, no Boulevard Haussman, devidamente engalano. Não é o meu armazém preferido para compras, mas é uma instituição e está a correr atrás do tempo perdido (ver novidades citadas na parte dois).


(Natal 2006 no Printemps, Paris, direitos reservados)

Parte dois

E porque mencionei os Campos Elísios, não custa nada sugerir uma das suas mais recentes aquisições ― é bom dizê-lo, aos poucos, a famosa avenida começa a atrair, de novo, alternativas que fogem à banalidade dos pronto-a-comer massificados. Inspirado em filmes como “In the Mood for Love” ou “Esposas e Concubinas”, a primeira coisa a chamar à atenção no Mood, assim se chama, é o seu espaço na esquina da Rue Washington com os Campos Elísios. Nada menos que mil metros quadrados divididos por três andares, com diferentes ambientes, pois o Mood faz as vezes de restaurante, bar e lounge. À cabeça do projecto, o jovem Olivier Bertrand, herdeiro de uma sociedade que conta já com a Brasserie Lipp, o salão de chá Angelina e ainda dois novos restaurantes nos armazéns Au Printemps (uma brasserie e um japonês, saibam e vejam mais aqui). Bertrand gostou tanto dos sofás que Didier Gomez desenhou para a Ligne Roset e a Cinna, que não fez por menos: contratou o designer para se encarregar da decoração. E como se tratava da primeira incursão parisiense de Didier, este resolveu apostar num lugar que faz a fusão do Ocidente com o Oriente. Sem cair no óbvio. Para o conseguir utilizou grandes fotografias de gueixas do século XIX, misturou antiguidades vietnamitas com peças de design contemporâneo, ou cadeiras espanholas e escandinavas dos anos 1960, encomendou alcatifa a Tai Ping, desenhou ele mesmo um lustre inspirados nos claustros asiáticos, e converteu em lampiões os austeros candeeiros, encarnados e brancos, dos irmãos Bouroullec. A cozinha ficou a cargo do chef Jacky Ribault, que criou uma paleta de sabores franco-asiáticos e uma carta só de sushi e sashimi. No bar, além de música a cargo de um Dj, e do inevitável saké, a escolha não é fácil perante uma lista com mais de 50 cocktails, sendo os mais originais à base de flores, especiarias e frutos.


(Mood, direitos reservados)

Parte três
E já que continuamos em Paris, não resisto a falar no museu que mais tinta tem feito correr nos últimos meses. Depois de anos de espera, o Musée Quai Branly abriu as suas portas a 23 de Junho de 2006. O museu encontra-se na margem esquerda do Sena, a dois passos da Torre Eiffel, numa área central de 400 metros por 120 entre as avenidas de La Bourdonnais e Rapp, o cais Branly e a rua de l’Université. Para além do espólio impressionante de objectos vindos de todo o mundo, dando assim à arte não ocidental e antes dita “primitiva” o lugar de destaque que há muito era reclamado, o museu tem como nec plus ultra o facto de se esconder parcialmente num jardim que representa, segundo o arquitecto Jean Nouvel, a savana; ao passo que o edifício está assente sobre postes cobertos de matérias exóticas que simbolizam a floresta. E o que pretendeu Nouvel com esta alegoria? Fazer com que o visitante esqueça o seu ‘mundo’ ao entrar ali e penetre, graças a largas extensões de vidro e fontes de luz escondidas, numa espécie de concha, num lugar sagrado. Uma viagem em todos os sentidos.


(Musée Quai Branly, direitos reservados)

Parte quatro

(Walt Disney, direitos reservados)

Para terminar, e porque tem tudo a ver com o espírito da quadra, uma alusão ao mundo do faz-de-conta de Walt Disney. Até 15 de Janeiro de 2007, nas galerias do Grand Palais, está a decorrer uma exposição dedicada àquele que foi o primeiro a dar uma difusão universal à arte do desenho animado. A exposição estabelece uma relação entre os desenhos criados nos estúdios Disney e as obras ou criações da arte ocidental, desde a Idade Média até movimentos como o Surrealismo, que lhes serviram de inspiração e cobrem áreas tão diversas como a pintura, as gravuras, a literatura, o cinema, a arquitectura, o paisagismo e até a própria música.

18.12.06

Natal no Mundo (5)

(Sydney Town Hall no Natal, direitos reservados)

Parte um
Nunca passei um Natal em clima de Verão. Deve ser preconceito da minha parte, ou tão só falta de hábito, mas Natal para mim rima mais com frio. Pode fazer sol, desde que haja frio, eu não me importo. No entanto, talvez abrisse uma excepção no caso de Sydney, na Austrália. Por muito que me pareça fora de contexto ver pessoas na praia com barretes de Pai Natal enfiados na cabeça, a apanhar banhos de sol e a surfar nas ondas de Bondi Beach, o certo é que Sydney tem lá o seu encanto. E se o seu réveillon é um dos mais difundidos no mundo inteiro (até pelas horas de avanço que levam em relação ao resto do planeta), o Natal também leva a cidade a engalanar-se a preceito. Do que vi na minha pesquisa, achei especial piada às iluminações psicadélicas que adornam a fachada da Town Hall (equivalente à câmara ou prefeitura). É um nada excêntrico e um pouco à frente do que se faz no dito "Velho Mundo".


(Árvore de Natal em Sydney, direitos reservados)


(Princesas da neve, Sydney, direitos reservados)

Se quiserem saber mais sobre o que se está a passar, carreguem aqui.

Parte dois

(Santa's Kingdom 2004, Sydney, direitos reservados)


Entre 2003 e 2005, Sydney, e também Melbourne segundo apurei, vibrou com um espectáculo multimédia de duas horas, o Santa's Kingdom. Instalado junto aos estúdios de cinema da Fox na cidade, o reino do Pai Natal encantava miúdos e graúdos australianos (e não só!), pois recriava vários ambientes de fábula como a floresta encantada ou o túnel do Natal (na foto). A organização do evento cabia ao mesmo homem responsável pelos Jogos Olímpicos de Sydney ou pelo Fantasma da Ópera, agora em cartaz em Singapura, mas um problema no ano passado em que vários figurantes, contratados para dar corpo ao Pai Natal, se vieram queixar das condições de trabalho e da falta de pagamento, quebrou a magia e este Natal não há Santa's Kingdom para ninguém.

Parte três

(Ópera de Sydney, direitos reservados)

Metades de laranjas empilhadas umas nas outras? Não, é a Ópera de Sydney, uma das imagens de marca da cidade, sendo facilmente reconhecida por milhões de pessoas. É também uma das sérias candidatas a nova maravilha do Mundo. Vejam aqui porquê.

17.12.06

Natal no Mundo (4)

(Natal 2006 na Orchard Rd., Singapura, direitos reservados)

Parte um
Ainda não fui a Singapura, mas tenho curiosidade. Há ali algo de deliciosamente kitsch que me atrai. À partida, não lembra a ninguém passar ali o Natal, o certo é que nesta pequena Cidade-Estado, famosa por levar o seu rigor ao ponto de multar o infractor apanhado a largar pastilha elástica onde não deve, a época é assinalada com pompa e circunstância. Ávida de imitar o Ocidente, mas sempre com um toque local, Singapura cria a sua pópria alegoria natalícia, em especial na famosa Orchard Road, que se transforma por completo e quase encadeia quem passa.


(Natal 2006 em Singapura, direitos reservados)


Se querem saber mais sobre o que se está a passar, carreguem
aqui.

Parte dois

(New Majestic Hotel, Singapura, direitos reservados)


Sei que Singapura não fica ali ao virar da esquina, mas, já que toquei no assunto, não resisto a juntar à lista um dos hotéis que descobri para a Volta ao Mundo, edição de Novembro de 2006. Num momento em que se banalizou o conceito de design hotel, a chegada do New Majestic, em Singapura, arriscava-se a passar despercebida. Acontece que este hotel, localizado num antigo armazém do bairro de Chinatown, não tem como ser ignorado, pois é talvez ― arrisco-me a dizer ― um dos mais imaginativos e surpreendentes hotéis dos últimos tempos. Se ficar pelo conceito de “New Asia” e pela mera descrição de que, no Majestic, se mistura mobiliário colonial de Singapura com peças de design mais contemporâneo ocidental, não estou a fugir à verdade; mas não basta. Para lhe fazer inteiramente justiça, tenho de falar, para começar, nos quartos: apenas 30 e todos diferentes, mas arrumados em categorias como “Ver e ser visto” (onde o forte é o jogo de espelhos); “Cama suspensa” (com camas enormes presas ao tecto), “Loft” (o quarto fica numa espécie de sótão), e “Aquário” (com uma banheira em vidro no meio da divisão). Existem também cinco quartos conceptuais ― Fluid, Work, Wayang, Untitled e Pussy Parlour ― concebidos por cinco artistas a quem foi dada total liberdade de criação. Por todo o hotel, gravuras, aplicações, ícones, mensagens visíveis apenas de certos pontos ou murais, criados de propósito por uma mão cheia de novos talentos locais. Voltando às camas, é bom que se diga que a sua roupa é um assunto à parte e que não se mediram despesas (desde almofadas e edredões de penas de ganso a lençóis de puro algodão com 280 fios).


(New Majestic Hotel, Singapura, direitos reservados)


Nas casas de banho, os produtos “oferta da casa” são todos da Kiehl’s. Com a imaginação a ditar a diferença, é claro que os uniformes do pessoal do hotel marcam pontos, num estilo informal e moderno a fugir para o tropical, e que a piscina é um lugar à parte, pois o seu fundo em vidro fragmentado faz as vezes de tecto do restaurante.


(New Majestic Hotel, Singapura, direitos reservados)


Feita a descrição, imagino que já estejam a pensar: muito bonito, mas e o preço? Pois bem, a diária começa nos 120 euros, o que me parece muito razoável tendo em conta a qualidade e o facto de, hoje, hotéis semelhantes custarem por vezes uma verdadeira fortuna.

Parte três

(Foster and Partners, direitos reservados)

Fixem bem a torre iluminada ao centro... Agora desviem, devagar, o olhar para baixo, ligeirmente à direita. O que é aquilo? É um disco-voador? Um novo clube nocturno? Um restaurante panorâmico? Nada disso. Trata-se, e só, do Tribunal Supremo de Singapura, inaugurado em 2005. Não é de agora que Singapura aderiu ao traçado futurista de inúmeros arquitectos de renome mundial, mas este edifício, criado pela firma do arquitecto britânico Sir Norman Foster (o mesmo que está a mudar a Londres ribeirinha e a quem foi confiada a conversão do Aterro da Boavista, em Lisboa, ver também aqui), marca a diferença e o seu ar de nave espacial tem dividido opiniões. Instalado na margem direito do Rio Singapura, perto do Parque Padang, o complexo judicial incorpora vários tribunais e foi concebido para passar uma imagem de dignidade, transparência e abertura. Uma coisa é certa, de noite ou de dia, quem passa por ele não fica indiferente.