Mostrar mensagens com a etiqueta Exposições. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Exposições. Mostrar todas as mensagens

18.1.07

A Não Perder (4)

(Shanga Market I, Miquel Barceló, direitos reservados)


Isto de ter a cabeça e os olhos focados num assunto, nem que seja só por deformação profissional, leva-nos a cometer excessos. Mas eu juro que foi só ver a tela, que reproduzo acima, do Miquel Barceló, e pus-me logo a pensar nos mercados de África que visitei. O colorido, os cheiros, as sensações… Enfim, mas este post não é para falar disso. É hoje inaugurada a exposição Arte Moderna e Contemporânea-Cordeiros 2007, no AMTC, edifício da Alfândega do Porto (Rua Nova da Alfândega, www.amtc.pt, de 3ª a 6ª, das 10h00 às 12h00 e das 14h00 às 18h00; sáb., dom. e feriados, das 15h00 às19h00). E só espero, muito sinceramente, que esta não passe despercebida e mereça a mesma atenção do público que a de Amadeo de Sousa Cardoso na Gulbenkian. Aliás, Sousa Cardoso é um dos pintores portugueses, juntamente com Almada Negreiros, Júlio Resende ou Júlio Pomar (entre outros), que se juntam a espanhóis ilustres como Antoni Tàpies, Miquel Barceló, Joan Miro (entre outros). Todos juntos numa mostra colectiva, uma das maiores de que há memória preparada por uma galeria privada, a Cordeiros, com um total de 352 obras e 52 criadores. Além da raridade e do valor incalculável de algumas das telas expostas ― veja-se o caso do pintor Santa-Rita, cujas obras foram quase todas destruídas, sendo que a mais valiosa na mostra é Porto Colom, de Barceló, avaliada em um milhão e meio de euros ―, o que está em causa é a oportunidade única de vê-las reunidas num só espaço e com um contexto histórico a servir de fio condutor. Até 31 de Janeiro de 2007.

7.1.07

A Não Perder (3)

(Vanitas, Paula Rego, direitos reservados)

Enquanto não chega o museu dedicado a Paula Rego, o Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, em Lisboa, presenteia o público com um tríptico inédito da pintora portuguesa radicada em Londres. Intitulado de Vanitas, «uma reflexão visual acerca do próprio conceito de vanitas enquanto precariedade da nossa frágil existência humana», este tríptico teve como inspiração o conto Vanitas, 51 Avenue de l’Iéna, de Almeida Faria, e surge de uma encomenda feita pela Gulbenkian para assinalar os seus 50 anos (celebrados em 2006). A apresentação desta obra, que passará a integrar a colecção permanente da fundação, terá lugar na quinta-feira, dia 11 de Janeiro. Destaco, todavia, um acontecimento temporário para ficar já em agenda: visitas guiadas (dia 3/02/07, às 15h00; dia 4/03/07, às 15h00; e dia 25/03/07, às 15h00) que terão como ponto de partida o conto de Almeida Faria, segue-se a ideia de Vanitas, e termina com o trí­ptico de Paula Rego. A entrada será livre e, até ver, não é necessário fazer marcação prévia. Mais informação aqui.

22.12.06

A Não Perder (1)

(Tintin no Pompidou, foto da AFP, direitos reservados)


Se fosse vivo, Hergé iria comemorar, em Maio de 2007, o centenário do seu nascimento. Para assinalar a data, o Centro Pompidou, no Beaubourg, Paris, dá finalmente, com o jornal
Le Monde já vaticinou, o passo que faltava para colocar de vez “a obra hergiana no panteão da arte moderna” através de uma exposição, em parceria com a Fundação Hergé, dedicada ao criador de Tintin. A exposição, com entrada gratuita, vai decorrer até 19 de Fevereiro de 2007 e, entre muitas outras coisas, tem como grande atractivo o facto de, pela primeira vez, exibir a colecção completa das 124 pranchas originais do livro “O Lótus Azul”, desenhada entre 1934 e 1935. Absolutamente imperdível para quem, como eu, se habitou a viajar e a ver o mundo através de Tintin. É que hoje pode até estar provado que Hergé raramente deixou a Bélgica, mas uma coisa é certa ― e vou citar uma vez mais o Le Monde ― “ele fez bem mais do que colocar apenas uma galeria de personagens nas vinhetas a correr à aventura; ele criou um universo coerente, quer pelo traço, quer pelo espírito, e deu muito de si. Por isso, sem dúvida alguma, ele construiu à volta de Tintin, mais do que uma obra, uma verdadeira obra-prima”.

19.12.06

Natal no Mundo (6)

(Natal nos Campos Elísios, Paris, direitos reservados)

Parte um
Na minha viagem virtual pelo Natal não podia deixar de fora Paris. É, assumidamente, uma das minhas paixões. E tanto se me dá se os parisienses fazem ou não cara feia. É a “Cidade-Luz” por excelência e o epíteto traz-lhe responsabilidades acrescidas na hora de bem se iluminar. Aliás, o momento em que a decoração natalícia dos Campos Elísios é revelada ao mundo já se tornou um clássico da época e, todos os anos, é convidada uma personalidade ou celebridade para carregar no botão. Este Natal coube ao cantor Florent Pagny, infelizmente pouco conhecido entre nós, a honra. A tradição manda que a cidade se encha também de mercados de Natal e que até não falte um ringue de patinagem no gelo junto ao Hôtel de Ville, mas as decorações natalícias das vitrinas mais famosas de Paris são um espectáculo à parte. Daí não ter resistido a incluir uma imagem do armazém Printemps, no Boulevard Haussman, devidamente engalano. Não é o meu armazém preferido para compras, mas é uma instituição e está a correr atrás do tempo perdido (ver novidades citadas na parte dois).


(Natal 2006 no Printemps, Paris, direitos reservados)

Parte dois

E porque mencionei os Campos Elísios, não custa nada sugerir uma das suas mais recentes aquisições ― é bom dizê-lo, aos poucos, a famosa avenida começa a atrair, de novo, alternativas que fogem à banalidade dos pronto-a-comer massificados. Inspirado em filmes como “In the Mood for Love” ou “Esposas e Concubinas”, a primeira coisa a chamar à atenção no Mood, assim se chama, é o seu espaço na esquina da Rue Washington com os Campos Elísios. Nada menos que mil metros quadrados divididos por três andares, com diferentes ambientes, pois o Mood faz as vezes de restaurante, bar e lounge. À cabeça do projecto, o jovem Olivier Bertrand, herdeiro de uma sociedade que conta já com a Brasserie Lipp, o salão de chá Angelina e ainda dois novos restaurantes nos armazéns Au Printemps (uma brasserie e um japonês, saibam e vejam mais aqui). Bertrand gostou tanto dos sofás que Didier Gomez desenhou para a Ligne Roset e a Cinna, que não fez por menos: contratou o designer para se encarregar da decoração. E como se tratava da primeira incursão parisiense de Didier, este resolveu apostar num lugar que faz a fusão do Ocidente com o Oriente. Sem cair no óbvio. Para o conseguir utilizou grandes fotografias de gueixas do século XIX, misturou antiguidades vietnamitas com peças de design contemporâneo, ou cadeiras espanholas e escandinavas dos anos 1960, encomendou alcatifa a Tai Ping, desenhou ele mesmo um lustre inspirados nos claustros asiáticos, e converteu em lampiões os austeros candeeiros, encarnados e brancos, dos irmãos Bouroullec. A cozinha ficou a cargo do chef Jacky Ribault, que criou uma paleta de sabores franco-asiáticos e uma carta só de sushi e sashimi. No bar, além de música a cargo de um Dj, e do inevitável saké, a escolha não é fácil perante uma lista com mais de 50 cocktails, sendo os mais originais à base de flores, especiarias e frutos.


(Mood, direitos reservados)

Parte três
E já que continuamos em Paris, não resisto a falar no museu que mais tinta tem feito correr nos últimos meses. Depois de anos de espera, o Musée Quai Branly abriu as suas portas a 23 de Junho de 2006. O museu encontra-se na margem esquerda do Sena, a dois passos da Torre Eiffel, numa área central de 400 metros por 120 entre as avenidas de La Bourdonnais e Rapp, o cais Branly e a rua de l’Université. Para além do espólio impressionante de objectos vindos de todo o mundo, dando assim à arte não ocidental e antes dita “primitiva” o lugar de destaque que há muito era reclamado, o museu tem como nec plus ultra o facto de se esconder parcialmente num jardim que representa, segundo o arquitecto Jean Nouvel, a savana; ao passo que o edifício está assente sobre postes cobertos de matérias exóticas que simbolizam a floresta. E o que pretendeu Nouvel com esta alegoria? Fazer com que o visitante esqueça o seu ‘mundo’ ao entrar ali e penetre, graças a largas extensões de vidro e fontes de luz escondidas, numa espécie de concha, num lugar sagrado. Uma viagem em todos os sentidos.


(Musée Quai Branly, direitos reservados)

Parte quatro

(Walt Disney, direitos reservados)

Para terminar, e porque tem tudo a ver com o espírito da quadra, uma alusão ao mundo do faz-de-conta de Walt Disney. Até 15 de Janeiro de 2007, nas galerias do Grand Palais, está a decorrer uma exposição dedicada àquele que foi o primeiro a dar uma difusão universal à arte do desenho animado. A exposição estabelece uma relação entre os desenhos criados nos estúdios Disney e as obras ou criações da arte ocidental, desde a Idade Média até movimentos como o Surrealismo, que lhes serviram de inspiração e cobrem áreas tão diversas como a pintura, as gravuras, a literatura, o cinema, a arquitectura, o paisagismo e até a própria música.