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23.10.07

Pessoas e lugares (2)

Vista sobre Lisboa do Zuzabed & Breakfast

O que motiva cada vez mais pessoas, com ou sem experiência no ramo, a abrir as portas da sua casa a estranhos? A rentabilização de um investimento? O gosto de ser anfitrião? A ideia de conviver de perto com outras culturas? Talvez um pouco de tudo isto. Seja como for, o certo é que uma nova geração de Bed & Breakfasts está a dar cartas.

Esta foi a pergunta que coloquei num artigo, a publicar em breve numa revista portuguesa. Como resposta encontrei dois endereços, bem perto de nós, que me apeteceu partilhar aqui.

Esqueçam o velho e bom Bed & Breakfast, com colchas floridas, papel nas paredes e alcatifa a cheirar a mofo. Continua a existir, mas não é dele que vou falar, mas sim de uma nova geração, que surge agora desempoeirada e em cidades onde antes era improvável. Como Lisboa, por exemplo. Luís Zuzarte abriu o Zuzabed & Breakfast há menos de um ano, na zona nobre do Chiado, o que assegurou desde logo dois requisitos essenciais para atrair hóspedes à sua casa: é central e possui boas vistas para o Castelo de São Jorge (ao alcance do terraço e das janelas de alguns quartos). O resto fica por conta da simpatia ― que passa por encontrar o peso certo entre colocar o hóspede à vontade e respeitar o seu espaço ― , dos quatro quartos com decoração moderna, personalizada e casas de banho privativas, ou ainda de pequenas atenções como colocar flores frescas nas mesas-de-cabeceira e ter sempre à disposição imprensa internacional.


Zuzabed & Breakfast


Outro exemplo recente que encontrei na nossa capital é o de Mi Casa en Lisboa. Neste caso, trata-se de uma aposta da espanhola Maria Ulecia ― que por isso mesmo privilegia esse mercado, mas não só ―, que se encantou pela cidade e decidiu ficar aqui a viver. A casa que comprou no bairro tipicamente alfacinha da Graça é um achado, a começar pelo terraço florido de onde se vê o Castelo de São Jorge e onde são servidos os pequenos-almoços sempre que o tempo o permite. Para já, Mi Casa tem apenas três quartos de arquitectura clean para hóspedes, mas, graças a um projecto de remodelação que entregou aos arquitectos da firma Ábaton, em breve passarão a ser oito no total. No seu site, Maria avisa que vive com a pequena e simpática cadela Lola.



Zuzabed & Breakfast

Zuzabed & Breakfast
Calçada do Duque, 29, 2º, Lisboa
Tel.: 934 445 500
Quartos duplos desde 60 euros

Mi Casa en Lisboa
Calçada do Monte, 50, Lisboa
Tel.: 918 970 607
Quartos duplos desde 70 euros

28.2.07

Perdições (9)

(Luca Manissero E Masa Kawai fotografados por H.S. para a edição de Março 2007 da Rotas & Destinos, direitos reservados)

Em casa de ferreiro, espeto de pau. O ditado é antigo, mas aplica-se, já se sabe, que nem uma luva a muitas situações. No meu caso, não raras vezes, acabo por conhecer mais depressa novos espaços noutros países, fruto das minhas constantes viagens, do que na minha própria cidade. Assim aconteceu com o restaurante Luca. TODA A GENTE já foi ao Luca, ali, no número 35 da Rua de Santa Marta, em Lisboa. Toda a gente MENOS EU, claro está.
Cansado de ouvir tantos elogios ao local, aproveitei o pretexto de um jantar entre amigos para, de uma vez por todas, arrumar a questão. Como era terça-feira, fiz reserva de mesa só por descargo de consciência. Santa ingenuidade! O restaurante, além do piso térreo, possui um mezanino (onde acabámos por nos instalar, pois assim não só víamos o que se estava a passar na sala principal, como tínhamos também uma boa vista para a cozinha aberta), mas encheu por completo. Isto numa terça à noite! Toma e embrulha.
Grande parte do seu sucesso deve-se à simpatia do seu proprietário, o italiano Luca Manissero, que faz as honras da casa, e ao talento do chefe japonês Masa Kawai, mas a comida, detalhe importante, que não se fica só pelas massas e risottos, é saborosa e vai além do corriqueiro. A maioria do pessoal que atende às mesas, fiquei com essa impressão, é de nacionalidade brasileira. São simpáticos e a comida chega rápido à mesa. Só tenho a apontar que, por vezes, os empregados se mostraram um pouco despistados entre pedidos e foi preciso lembrá-los mais de uma vez.
Nas traseiras da casa, existe ainda o Tapas Bar, com decoração marroquina e serviço de tapas, tempuras japonesas e outros petiscos que podem ser acompanhados por vinho a copo. No restaurante, uma refeição, sem vinho e sem abusar das caipirinhas, fica, em média, por 25 euros/pessoa. Recomendo (bom, isto partindo do princípio que ainda há quem precise de indicação para lá chegar!) E não se esqueçam de reservar.

5.2.07

De amor e comida

A propósito do Dia de São Valentim, a minha caixa de correio electrónico vive agora em total desassossego. Todos os dias, recebo propostas, vindas dos quatro cantos do mundo, para celebrar a data em grande estilo. Ao invés de me pôr a tecer considerações sobre o que acho ou deixo de achar sobre o fenómeno, resolvi destacar duas que, confesso, ganharam a minha atenção. Ponto a favor para a estratégia de marketing.


1. O preço não é para todos (€400 por casal), mas todos deveriam ter o direito de, pelo menos uma vez na vida, se regalarem com um festim idêntico ao que o Hotel Pestana Palace, em Lisboa, preparou para o jantar de São Valentim. O Chefe do restaurante Valle Flor convidou Yann Duytsche, reputado chefe pasteleiro francês, que assumiu a direcção técnica da casa de chocolate Valrhona, em Barcelona, para fazer as honras da casa. O menu vem em francês e eu, para não desrespeitar uma das línguas do amor, vou manter-me fiel ao original na transcrição.


(Yann Duytsche, direitos reservados)


Saint Valentin " chocolat fusion "

une royale sensation:

le filet de lapereau braisé à la lie de vintage et baies de genièvre en robe de guanaja...
fleur de pensée


une explosion insolite:

bonite a dos rayé rôti au sancho et coriandre
pâte de fruits à l´olive dans un bonbon au manjari fumé


une douceur salée:

foie gras au grué sauté, saupoudré de cacao carotte et orange au coeur de pur caraïbe comme un soufflé

une fête mexicaine:

cernier rôti au molé de xocopili, manioc et racine de lotus

bouillon de clovisse citronnée et espuma d´ivoire


notre ex-libris:

le paleron de boeuf fermier étuvé lentement aux fèves de cacao sur une écrasée de panais et copeaux de caogrande
crème fondante ivoire clou de girofle, neige de fromage de chèvre frais
et croustillant coco, lanières de céleri branche crème glacée jivara lactée, compote d'abricot vanille tahitensis et fleur de bière ....terre de grué de cacao caramélisé... Soufflé coulant de chocolat noir Araguani accompagné d'une crème glacée, jus de gingembre frais... Café et trois petits-fours : macarons manjari coriandre, carré framboise anis, Guanaja et crescendo citrik ivoire

Vinhos

Vinhos seleccionados pela escanção Ana Paula Lopes



2. A proposta do restaurante
Porto Novo, no Sheraton Porto Hotel & Spa, também prima pela originalidade e apostou em grandes sucessos literários para despertar a gula dos enamorados. Cliquem na imagem e leiam o cardápio.


29.1.07

Perdições (7)


A propósito de chocolate...

(Direitos reservados)

Chocolate com griffe
O Valle Flor, a funcionar no Hotel Pestana Palace, é um restaurante caro, não o nego, mas não se acanhem em considerá-lo para uma ocasião especial. A excelência da sua cozinha e o charme do hotel não desiludem. Para mais, e depois de ter lido a edição de Fevereiro da revista Evasões (cuja página reproduzo à esq.), fiquei a saber também que a jovem pasteleira do Valle Flor, Ana Rita Cristovão, ganhou, pela quinta vez consecutiva, o prémio Chocolatier do Ano no Festival Internacional de Chocolate de Óbidos. Em causa esteve uma das suas criações de sonho: Mil-folhas de chocolate manjari e maracujá, em espuma de cacau e trufa morna.
Outra dica preciosa: existe em Carcavelos, desde 2003, o Cacau Clube, uma associação não lucrativa que visa dar a conhecer o chocolate. O Cacau Clube organiza, entre Fevereiro e Março, três sessões que vão incluir, no final, a degustação de uma sobremesa criada por um chefe de renome. Mais informações através do e-mail: cacau.clube@telepac.pt


Chocolate à alentejana
Nem tudo se resume a Lisboa e arredores. Que o diga quem já foi à Mestre Cacau, em Beja. Criada, em 2005, pelo casal Célia e João Dias, esta casa inspirou-se nas chocolatarias de outras paragens para criar no Alentejo a sua marca registada. Assim, além da confeitaria própria, na Mestre Cacau produzem-se chocolates artesanais que surpreendem pelos recheios de medronho, café de Timor ou aguardente da Vidigueira.



(Fachada da Aquim, Rio de Janeiro, direitos reservados)

Chocolate de autor
Altas temperaturas não combinam bem com chocolate, mas isso não tem impedido o Rio de Janeiro de ganhar tradição na matéria. Um dos meus locais preferidos, para nenhum chocólatra "botar" defeito, é a loja Aquim, no Leblon (Av. Ataulfo de Paiva, 1321). Oriunda de uma família que se tornou famosa pelos seus buffets magistrais, Samantha Aquim (na foto, publicada na Veja), graças à sua formação na escola francesa de gastronomia Lenôtre, é quem comanda hoje as operações e produz artesanalmente, recorrendo quase sempre a chocolate belga, nove tipos de sofisticados bombons. Com uma média de venda superior às 200 unidades por dia, tudo ali é de arregalar a vista, pois as criações são expostas, como se de jóias se tratassem, numa vitrina especial.


Chocolate com pimenta

Se o nome do chefe Ferran Adrià dispensa apresentações, de tão famoso que se tornou no mundo inteiro, quando se fala em chocolate quem merece uma referência especial é o seu irmão Alberto, graças ao conceito Cacao Sampaka (Mercado de Chocolate). Com lojas em várias cidades espanholas (como Madrid, Girona, Valência, Málaga...) e até em Berlim, na Alemanha, é, contudo, a casa de Barcelona que chama mais à atenção. Num misto de café e loja, no nº 292 da Conseil de Cent, é o local ideal para comprar umas trufas perfeitas e beber uma típica chávena de chocolate espesso (com a consistência idêntica a um pudim, como os espanhóis gostam), enriquecido de uma pitada de canela e de pimenta.

26.1.07

De olho no fim-de-semana (1)

(Roibos, direitos reservados)

Esta é uma boa dica para os amantes de chá. Eu não fui lá (ainda), mas confio em quem me passou a informação. A First Flush tem agora uma loja na Rua do Crucifixo, 108-110, à Baixa de Lisboa, onde é possível comprar, para além dos tradicionais apetrechos, chás e infusões frescos ao quilo. E, para os indecisos, eles organizam degustações das 12h00 às 14h00 e das 17h00 às 19h00. A menos que me desiluda, acho que ganharam mais um freguês.

5.1.07

Perdições (4)

Okay, confesso. Fui atacado pelo sentimento de culpa. Afinal, dos posts anteriores nenhum é em Portugal. Em boa hora me chegou às mãos a edição de Janeiro da revista Evasões, de que gosto particularmente. A página que reproduzo (à esq.) levou-me a fazer uma pequena pesquisa. Mais uma vez, e a avaliar pelo número de revistas que já falou no Cinco Lounge, eu é que tenho andado, para variar, muito distraído. Fiquei com vontade de lá passar (e ficar um bocado, entenda-se) um dia destes. Tem uma decoração simpática, moderna, sem armações ao cuco, uma localização que me agrada (fica ali, junto ao Príncipe Real, em Lisboa), vários chás menos batidos, «tostas divinas» (quem o diz é o Miguel Ferreira da Silva, eu ainda não as provei...) e, detalhe importante, cerca de cem cocktails à escolha (até aqui nada de novo, mas as combinações parecem-me sugestivas, como a do Jules, na foto, um mojito com rum, framboesas esmagadas, hortelã fresca, lima, açúcar e soda, tudo agitado e não misturado, como gostava o velho Bond). Outro detalhe a ter em conta: eles prometem que, ali, a música de fundo nunca está alta ao ponto de interferir nas nossas conversas. Assim, de repente, é um bom prenúncio.

28.12.06

Alegoria de fim de ano

Se cá nevasse, eu fazia cá ski, e Lisboa ficaria assim!

(Foto de ASS, direitos reservados)

25.12.06

Natal no Mundo (12)

(Iluminação de Natal junto ao Arco da Rua Augusta, Lisboa, direitos reservados)

Há coincidências curiosas. Iniciei esta viagem virtual pelo Natal no Mundo numa data perfeitamente aleatória, mas eis-me chegado ao dia 25 e ao número redondo de 12. Nem de propósito. Para terminar o meu périplo não podia eleger outra cidade. Ou melhor, até podia, mas não me apetece. Por todos os motivos, só pode mesmo ser Lisboa. A cidade onde nasci e vivi a maior parte da minha vida. É também a ela que estão associadas, desde sempre, as minhas recordações de Natal. A fotografia foi tirada no Chiado, num final de tarde por aquelas bandas. Do que vi na capital, pareceram-me ser das iluminações natalícias mais bem conseguidas.

Feliz Natal/Merry Xmas!

P.S. A pedido da Suzi, fui à procura de outra imagem de Natal em Lisboa para colocar e acabei por descobrir que a empresa portuguesa Castros, responsável pelas iluminações natalícias na capital e também em Londres, foi eleita, pelo segundo ano consecutivo, como a melhor da Europa. Está de parabéns. Ler mais aqui.