

José Dias Vieira comprou um belo casarão antigo a dois passos da igreja matriz e do pelourinho. Nele viviam antes duas irmãs idosas para quem a casa assimétrica de dois pisos se tinha tornado grande demais. O projecto de conversão em hotel foi então entregue ao arquitecto Francisco Quintanilha, entretanto falecido, que tratou, entre outras coisas, de altear o sótão para ganhar um segundo piso e de construir uma nova ala assumidamente contemporânea por contraste ao edifício original.

Resolvida a questão arquitectónica, Teresa e Raquel, noras do proprietário, chamaram a si o desafio de dar conteúdo a um hotel de 24 quartos, em que apenas quatro são iguais, e transformá-lo numa unidade de charme contemporâneo, sem cair no cliché do design pelo design ou na tentação de enveredar pelo exótico-rural. Aproveitaram soalhos flutuantes, portadas e portas de origem, como a que separa a sala de estar do bar (e que se repete, no primeiro andar, no quarto 115), e trataram de as combinar, na casa antiga, com tons neutros e achocolatados, tecidos agradáveis ao toque, painéis em madeira rendilhada (há um particularmente bonito por cima da lareira, na sala), gravuras de Martins Correia cedidas pelo Museu Equus Polis e muitas peças escolhidas a dedo que Teresa, graças à sua loja de decoração (teresamatos@soladrilho.pt), garimpou junto de vários designers e artistas plásticos nacionais e estrangeiros.

E foram detalhes como as almofadas bordadas de Teresa Martins, os apliques de parede Caboche, desenhados por Patricia Urquiola e Eliana Gerotto para a Foscarini, os candeeiros de Luísa Peixoto ou as jarras sete dias de cor opalina, de Sigolène Prébois e Catherine Lévy para a Tsé & Tsé, que não passaram despercebidos à revista Condé Nast Traveler e que já levaram as duas a serem convidadas para decorar um projecto nas ilhas Caimão. Aliás, todo o mobiliário escuro dos quartos, com linhas simples e ângulos rectos, é da sua autoria, sendo apenas combinado com roupa branca nas camas e tecidos, de cor verde ou laranja, da Designers Guild a forrar cadeiras e otomanas.
4 comentários:
E eu que nunca fui à Golegã? Pode ser uma ideia e o Hotel Lusitano parece ser muito acolhedor ....
Um destino bem mais próximo e muito agradável… Assim, de repente, não me importava nada de despertar nesse ambiente que tão bem retrataste… provavelmente não me separava assim tão rapidamente do edredão fofo.
:)
Gostei da ideia de fugir da recriação dos ambientes ribatejanos e gostei - por motivos óbvios - dos tons achocolatados...
Bom..eu sou recepcionista neste belo hotel e digo-vos...a descrição que é feita neste blogue não está nada atrás da verdade!
Eu trabalhei em vários hotéis pelo país e sem dúvida alguma este é o mais bonito e acolhedor.(para não falar do atendimento que é sublime) aconselho a todos a visitarem o hotel.
ah e mais uma coisa, o Spa já abriu!
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