“O Rio de Janeiro continua lindo / O Rio de Janeiro continua sendo / O Rio de Janeiro, Fevereiro e Março” (Aquele Abraço, Gilberto Gil). Uma lagoa rodeada por prédios e morros. O céu de fim de tarde não chega a ficar incandescente, mas a magia não sai beliscada. Coloco de parte o cocktail de álcool e frutas amazónicas, demasiado adocicado, e ajeito-me numa das cadeiras alfresco do Kanta Galo (Av. Epitácio Pessoa, s/nº, Parque do Cantagalo) para melhor desfrutar o cenário. A minha preguiça nem sequer destoa da energia comedida com que a grande maioria, e são muitos àquela hora, se exercita e passeia nos oito quilómetros que rodeiam a Lagoa Rodrigo de Freitas.
Os parques vizinhos dos Patins e das Catacumbas foram os pioneiros, no final dos anos 90, a inaugurar a tradição dos quiosques com cozinhas de vários pontos de mundo, mas o Kanta Galo, o irmão mais novo do exótico ― e, a meu ver, mais conseguido ― Palaphita Kitch, pertence a uma geração mais recente de quiosques que vieram dinamizar o Parque do Cantagalo, às margens da Lagoa, entre o final do dia e a madrugada.
Mas nem tudo é tão idílico como parece à primeira vista. A meio caminho entre Ipanema e Leblon, a lagoa, ligada ao mar pelo canal do Jardim de Alah, padece ainda com a poluição, mas tem vindo a melhorar e está mais arborizada e cuidada. O trânsito intenso à sua volta também está longe de ser um bálsamo em hora de ponta, até porque é um eixo de circulação entre vários bairros da Zona Sul.


Sem contar que continuam aqui dois dos chefes mais premiados dos últimos tempos: Claude Troisgros e Roberta Sudbrack (R. Lineu de Paula Machado, 916). O primeiro é um francês há muito radicado no Rio, mas não há meio de perder o forte sotaque. Reabriu, em finais de 2003, o seu antigo restaurante, o Olympe (R. Custódio Serrão, 62), e, desde então, não pára de arrecadar todos os prémios mais prestigiados para a sua cozinha francesa com um toque brasileiro. A segunda é agora uma confirmação em matéria de cozinha contemporânea e veio directa do Palácio da Alvorada, onde cozinhou para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Os comensais, que podem também participar em aulas semanais, sentam-se numa mesa comum e pagam cerca de 60 euros à cabeça para provar as suas criações, aparentemente simples, mas muito sofisticadas. Mais acessível é o seu café, no segundo piso da loja multimarca Dona Coisa (R. Lopes Quintas, 153), também no Jardim Botânico.


4 comentários:
Essa inscrição por cima do mictório é bem sugestiva….
:)
volto, ainda, 'tá bom?
há muito o que ver e ler, por aqui, desde ontem.
'té mais.
;o)
Apetecia-me horrores dar um passeio agora pela Lagoa Rodrigo de Freitas... e terminá-lo com uma picanha nesse tal "Braseiro do Gávea".
- A mortandade de peixes que, volta e meia, assola a lagoa há muito não se repete, graças a deus e ao trabalho (lento, vagaroso e menor do que o ideal) de despoluição. Mas, vamos combinar: sentar-se ali, num dos quiosques, ou num pier, e ficar mirando o Cristo, numa noite estrelada, é TU-DO!!!
- o Jardim Botânico (o parque), acima de tudo, é um lugar de paz, onde você mergulha na natureza e sai encantado. E ali ao lado, ainda, o Parque Lage, outro recanto de paz. Fora isso, o blá-bláblá dos "Globais" especialmente da parte jornalística, com quem você tromba, na rua, se estiver nas proximidades da TV.
- E o Baixo Gávea, você traduziu bem: é "o point". Simples assim. rs*
Quando é que a "nossa turma" vai se reunir para curtir tudo isso, hein, Miguel, Martinha, Custódia e Luís F.??
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