Okay, confesso. Fui atacado pelo sentimento de culpa. Afinal, dos posts anteriores nenhum é em Portugal. Em boa hora me chegou às mãos a edição de Janeiro da revista Evasões, de que gosto particularmente. A página que reproduzo (à esq.) levou-me a fazer uma pequena pesquisa. Mais uma vez, e a avaliar pelo número de revistas que já falou no Cinco Lounge, eu é que tenho andado, para variar, muito distraído. Fiquei com vontade de lá passar (e ficar um bocado, entenda-se) um dia destes. Tem uma decoração simpática, moderna, sem armações ao cuco, uma localização que me agrada (fica ali, junto ao Príncipe Real, em Lisboa), vários chás menos batidos, «tostas divinas» (quem o diz é o Miguel Ferreira da Silva, eu ainda não as provei...) e, detalhe importante, cerca de cem cocktails à escolha (até aqui nada de novo, mas as combinações parecem-me sugestivas, como a do Jules, na foto, um mojito com rum, framboesas esmagadas, hortelã fresca, lima, açúcar e soda, tudo agitado e não misturado, como gostava o velho Bond). Outro detalhe a ter em conta: eles prometem que, ali, a música de fundo nunca está alta ao ponto de interferir nas nossas conversas. Assim, de repente, é um bom prenúncio.
5.1.07
Perdições (4)
Okay, confesso. Fui atacado pelo sentimento de culpa. Afinal, dos posts anteriores nenhum é em Portugal. Em boa hora me chegou às mãos a edição de Janeiro da revista Evasões, de que gosto particularmente. A página que reproduzo (à esq.) levou-me a fazer uma pequena pesquisa. Mais uma vez, e a avaliar pelo número de revistas que já falou no Cinco Lounge, eu é que tenho andado, para variar, muito distraído. Fiquei com vontade de lá passar (e ficar um bocado, entenda-se) um dia destes. Tem uma decoração simpática, moderna, sem armações ao cuco, uma localização que me agrada (fica ali, junto ao Príncipe Real, em Lisboa), vários chás menos batidos, «tostas divinas» (quem o diz é o Miguel Ferreira da Silva, eu ainda não as provei...) e, detalhe importante, cerca de cem cocktails à escolha (até aqui nada de novo, mas as combinações parecem-me sugestivas, como a do Jules, na foto, um mojito com rum, framboesas esmagadas, hortelã fresca, lima, açúcar e soda, tudo agitado e não misturado, como gostava o velho Bond). Outro detalhe a ter em conta: eles prometem que, ali, a música de fundo nunca está alta ao ponto de interferir nas nossas conversas. Assim, de repente, é um bom prenúncio.
Perdições (3)
Ainda a propósito da minha última viagem ao Rio de Janeiro, não resisto a deixar aqui, à laia de dica, o meu encontro com Flávia Quaresma, à frente de um restaurante de que gosto muito.
(Flávia Quaresma fotografada para a revista Veja, direitos reservados)Em Botafogo, um dos bairros nobres da Zona Sul do Rio de Janeiro, o que não faltam são casarões dignos de uma espreitadela na Rua São Clemente ― entre eles, a Residência do Cônsul de Portugal, que José Rodrigues dos Santos descreveu com minúcia no seu romance O Codex 632 ―, mas o meu destino era a Rua Visconde de Caravelas. É ali, nº113, que fica, até ver (fala-se numa mudança para o Leblon ainda este ano), o restaurante de Flávia Quaresma. Quem acompanhava na TV Cabo o extinto GNT não vai ter dificuldade em reconhecer o rosto bonito e simpático da jovem chef que, em parceria com o premiado chef paulista Alex Atala, corria o Brasil à procura de sabores inusitados para o programa Mesa p’ra dois. Longe de ser uma novidade, o seu Carême Bistrô (R. Visconde de Caravelas, 113, jantares de 3ª a sáb.), pequeno e intimista como uma mercearia fina, é um dos mais elogiados do Rio em matéria de cozinha francesa, mas mantém-se na berra graças ao carisma de Flávia e à sua mão certeira para as sobremesas ― ganhou o prémio 2006/07 da revista Veja nesta categoria. Uma das suas eleitas é a exótica “bavaroise de cupuaçu com sorvete de castanha-do-Brasil e calda de frutos tropicais. Um charme.
Roteiro Low Cost (3): Madrid

Ao contrário de Portugal, onde, salvo raras excepções, o Dia de Reis já passa quase despercebido, 6 de Janeiro é uma data muito celebrada em Espanha. No caso de Madrid, é da tradição popular assistir no dia 5 a um desfile, que começa às 18h00 no Paseo de la Castellana, de carros alegóricos com personagens do cinema, da banda desenhada e das estórias infantis. O cortejo termina por volta das 20h00, com a chegada dos três reis magos à plaza de Cibeles, que se encarregam de distribuir guloseimas pelas crianças. Sobem depois a um palco, com um presépio montado, onde são recebidos pelo presidente da câmara madrilena e fazem a entrega dos presentes simbólicos ao Menino Jesus. A quem interessar, como é hábito, partilho a seguir o roteiro a baixo custo que preparei para a Volta ao Mundo.
Avião Em Janeiro, as melhores propostas que encontrei no mercado são as da Vueling, a partir de €10,56 mais taxas, e da Iberia, a partir de €29 mais taxas. Convém verificar as tarifas, e as taxas, antes de efectuar a reserva.
Restaurantes É comum, a maioria dos restaurantes madrilenos apresentar um menu de preço fixo, e mais em conta do que comer à la carte, à hora de almoço, que inclui uma entrada, prato principal e sobremesa. Fora isso, há sempre a possibilidade de “picar” as famosas tapas e entreténs de palato. Os amantes do génio culinário de Ferrán Adria (na foto) estranham, mas o facto é que o célebre chef associou o seu nome à cadeia Fast Good. A ideia é servir comida rápida saudável, com toque de autor, num local informal com mobiliário de design actual.4.1.07
Perdições (2)
(Caetano Veloso e Lila Dawn, direitos reservados)Burn it Blue
Burn this house
Burn it blue
Heart running on empty
So lost without you
But the night sky blooms with fire
And the burning bed floats higher
And she’s free to fly…
Woman so weary
Spread your unbroken wings
Fly free as the swallow sings
Come to the fireworks
See the dark lady smile
She burns…
And the night sky blooms with fire
And the burning bed floats higher
And she’s free to fly…
Burn this night
Black and blue
So cold in the morning
So cold without you
And the night sky blooms with fire
And the burning bed floats higher
And she’s free to fly
Y la noche que se incendia,
Y la cama que se eleva,
A volar…
And of the dark days
Painted in dark gray hues
They fade with the dream of you
Wrapped in red velvet
Dancing the night away
I burn…
Midnight blue
Spread those wings
Fly free with the swallows
Fly one with the wind
Y ella es flama que se eleva,
Y es un pájaro a volar
Y es un pájaro a volar
En la noche que se incendia,
El infierno es este cielo
Estrella de oscuridad
And the night sky blooms with fire
And the burning bed floats higher
And she ’s free to fly
Just a spark in the sky
Painting heaven and hell
Much brighter
Burn this house
Burn it blue
Heart running on empty
So lost without you
Esta canção não só me recordou um acaso feliz, o do encontro do brasileiro Caetano Veloso com a mexicana Lila Dawn (não ganharam o Óscar, em 2003, para melhor música, mas a sua actuação não passou despercebida e fez-me descobrir esta artista maravilhosa), como me trouxe à lembrança que Frida pode até não ser um grande filme, mas tem os seus momentos de inspiração. Um deles é, sem dúvida, a banda sonora assinada por Elliot Goldenthal. Escutar Burn It Blue, esta manhã, fez-me ir à procura de mais (ouvir aqui, requer Real Player).Logo, não se surpreendam se a coloco na minha lista de lugares a revisitar, se possível ainda durante 2007. Não, não formulei nenhum pedido a esse respeito, nem sequer tenho por hábito fazer lista de desejos, mas não me importaria que 2007 a colocasse de novo no meu caminho. Uma vez lá, não há nada a enganar. Por mais voltas que dê, é a esta casa azul que sempre irei bater.
Perdições (1)
Aqui estão dois presentes que não me importava nada de ter desembrulhado neste Natal...
Louis Vuitton City Guide 20072.1.07
Caetano Veloso cantou:
Onde será que isso começa
A correnteza sem paragem
O viajar de uma viagem
A outra viagem que não cessa?
(in O Nome da Cidade)
E eu respondo que não sei. Depois de tantas viagens, reais e imaginárias, não sei. Só sei que algumas delas foram (e serão) o pretexto para encontros memoráveis. Mesmo sem final feliz à vista.
(África Minha, direitos reservados)1.1.07
(Re)começo
Ano Novo. Vida nova. Ensinaram-nos a encarar cada novo ano que começa como um novo capítulo nas nossas vidas. Um capítulo que obedece a uma lógica anterior, mas que, ainda assim, se apresenta em aberto. Em branco. Por preencher. Isto lembra-me Corto Maltese, companheiro de tantas viagens. Diz a lenda que, certo dia, uma cigana quis ler a palma da mão esquerda de Corto, ao que este acedeu sem resistir. A cigana benzeu-se três vezes, horrorizada. Não pelo que viu, mas pelo que não viu. A sua mão não apresentava linha da sorte. Por mais errante que uma alma seja, ou talvez mesmo por isso, Corto não se conformou em ser um homem sem sorte. A primeira coisa que fez quando chegou a casa foi pegar numa navalha e, zás, de um golpe certeiro traçou a sua linha da sorte.
Serve a metáfora para concluir uma coisa. Na vida, podemos limitarmo-nos a aceitar aquilo que nos calha em sorte. Em aceitar que as páginas da vida se vão preenchendo por si mesmas, com ou sem intervenção do divino. Ou podemos fazer como Corto. Traçar os nossos caminhos. Assumir as nossas escolhas. Não é garantido que sejamos mais felizes, ou mais bem sucedidos. Mas é certa a satisfação de não termos sido meros peões e de termos ousado escrever, reescrever se for preciso, uma, duas, três vezes, as vezes que forem precisas, sempre na tentativa de acertar, a história da nossa vida.




