9.7.07

De volta ao aconchego

(Morro do Pai Inácio, Chapada Diamantina, Bahia, D.R.)


Ponto um
Eu sei que a Luana é bonita e tal, mas que abusei da vossa paciência ao deixá-la aqui por mais de duas semana sem postar nada de novo. Que saibam: as vossas reclamações foram devidamente registadas. E só por causa disso não vou colocar o ensaio fotográfico que a a moça fez para a revista Trip por ocasião dos seus trinta anos. Sim, ela também já chegou lá...

Ponto dois Fui contrariado, mas voltei da Bahia com o axé em cima. Para os que, como eu, julgavam que axé era só um tipo de música, saibam que axé, antes de mais, é sinónimo de astral. Bom astral. Gostei particularmente das caminhadas que fiz na Chapada Diamantina (o Morro do Pai Inácio, onde é preciso subir uns bons 15 minutos para chegar ao topo e ter aquela vista maravilhosa da foto de bandeja, está de prova) e dançar forró na véspera de São João nos bailes de Lençóis. Se julgam que o São João do Porto mobiliza muita gente, então não imaginam a confusão no Nordeste brasileiro à conta das festas joaninas.

Ponto três Chegar a casa é bom. Muito bom. Sobretudo porque consegui escapar às greves loucas dos controladores aéreos brasileiros, que têm deixado o país apeado nos aeroportos. O pior foi que, à chegada, me dei conta de que o trabalho deixado para trás continuava por fazer, à minha espera com um sorriso cínico nos lábios. E ai foi duro. Muito duro o regresso à normalidade.

Ponto quatro Não tive pachorra para assistir à Gala Maravilha (que de maravilha teve muito pouco a avaliar pelas gaffes, mas enfim...), mas espreitei para saber as eleitas em Portugal e no Mundo. Como disse mais do que um jornalista ali presente, esta iniciativa vale o que vale. Temos de pensar nela como uma estratégia de marketing e como uma curiosidade. Nesse sentido, fiquei feliz por o Cristo Redentor ter sido eleito - mas é o coração a sobrepor-se à razão, reconheço-o sem pudor. Parece que do outro lado do Atlântico (e também deste, eu votei), levaram a sério Lula e o seu slogan "Vota Cristo".

Ponto cinco Há coisas que são inevitáveis. E como inevitáveis que são, o melhor é despachá-las enquanto estão quentes. Eu e M. abdicámos de um domingo que estava melhor para a praia e fomos cumprir a nossa "obrigação" cultural (nós e mais umas largas dezenas de pessoas, que quiseram aproveitar ser à pala até dia 15). Está visto. O Museu Berardo, digo. Não me vou alongar a tecer considerações sobre o senhor nem se o país precisa ou não desta colecção. É um espólio considerável, a não desprezar em qualquer parte do mundo, mas não gostei de duas coisas: irrita-me que, de futuro, o CCB fique sem espaço para outras exposições maiores, caso da famosa World Press que era já um clássico ali; saí de lá também com a impressão de que o espaço e a disposição da colecção foram improvisados. Nota-se, à légua, que aquele espaço não foi pensado, de raiz, para acolher este espólio.

Ponto seis Sabe igualmente muito bem terminar uma tarde de sol virado para o rio, a ver literalmente os barcos passarem, deitar conversa fora e matar a sede. Só me arrependo de não ter bebido um mojito, mas a M. lançou-me um olhar reprovador. Afinal, ela sabe que não andei movido a água por terras de São Salvador.

18.6.07

A musa e o baiano


Confesso: a Luana Piovani já me encheu as medidas, ao ponto de certa vez - não me orgulho disto - ter arranjado maneira de a entrevistar em Nova Iorque a pretexto de uma guia que estava a fazer na altura. Enfim, o tempo passou e com ele foi-se parte do encanto. Continuo a achá-la linda , mas perdi a paciência, pois beleza não é tudo.

Estou habituado a ver Piovani ser notícia pelos piores motivos, mas, ultimamente, ela fez a chacota geral ao ter sido desmentida publicamente por Caetano Veloso, que negou ter sido ela a musa inspiradora de uma das suas músicas. A estória tem rendido rios de tinta e troca de galhardetes, mas Luana nunca deu o braço a torcer e foi mesmo ao cúmulo de, numa entrevista à revista Trip (edição de Maio), lavar a sua honra em praça pública: "Era um Deus e descobri que era um banana de pijama (...) Para mim ele morreu, está sepultado. Não posso acreditar que um cara de 65 anos faça uma galhofa dessa".

Mas eis que, agora, Caetano decide voltar atrás e admite: "Pela primeira vez vou dedicar essa música a Luana. Eu não a desmenti, como disseram. Há dois anos, quando compus a música, disse a ela que foi parcialmente inspirada nela. Mas Luana se precipitou e contou antes de me consultar". Não sei qual dos dois ficou pior no retrato, se a musa, se o cantor...

14.6.07

O que é que a baiana tem?


Vinicius, Dorival Caymmi, Caetano Veloso, Bethânia, Gilberto Gil, Gal Costa, todos eles já cantaram as belezas da Bahia. E o que tem a Bahia de tão especial? Para começar, uma capital que os portugueses entenderam baptizar de São Salvador da Baía de Todos os Santos, já que foi fundada a 1 de Novembro de 1549. Vem-lhe provavelmente daí a sua tendência natural para o sincretismo religioso e a sua propensão para a miscigenação cultural ― dessa união nasceu uma cultura única e um ponto de confluência no Brasil.

Para os que julgam que sumi, confesso apenas que me deixei levar pela preguiça entre dois feriados e pus-me ao largo. Sim, cheguei a sonhar com férias nesta altura do ano, mas as coisas nem sempre acontecem como queremos. Vai daí, na passada sexta fui surpreendido por um convite de última hora. É trabalho, mas não deixa de ser (também) um gosto. Embarco muito em breve.

6.6.07

Porque amanhã é feriado...

(Beatriz Batarda, direitos reservados)

... venho desejar-vos, mais cedo do que o costume, bom fim-de-semana! Aproveitem bem o dia, pois, parece, o sol vai ser de pouca dura... Como sugestão deixo uma peça que vai estrear amanhã, no São Luíz, e se chama Quando o Inverno chegar. Com texto do agora-cada-vez-mais-na-moda José Luís Peixoto (vou mesmo ter de ler um livro deste rapaz!), esta peça assinala também os primeiros passos como encenador de Marco Martins, que deu anteriormente nas vistas como realizador do filme Alice. No elenco, dois actores da nova geração que já dispensam apresentações: Beatriz Batarda e Nuno Lopes, entre outros. Em cena até dia 30 de Junho. Espero não perder!

5.6.07

Ainda é terça, mas a segunda já foi

Encontro a seguinte citação de Cesare Pavese:
«Viajar é uma brutalidade. Força-nos a confiar em estranhos e a perder de vista todo o conforto familiar do lar e dos amigos. Fica-se em constante desequilíbrio. Nada nos pertence, excepto as coisas essenciais: ar, sono, sonhos, o mar, o céu - tudo coisas que tendem para o eterno ou para o que imaginamos como tal.»
E acrescento:
O encanto de viajar é precisamente esse, o de, por uma fracção de tempo, ficarmos em desequilíbrio e aprendermos a separar o essencial do acessório para (sobre)viver.

4.6.07

Hoje é segunda, mas ontem foi domingo

Domingo de sol. Acordo quase à hora de almoço, como gosto. Tenho a casa por minha conta. Vou para a cozinha. Acendo a televisão. No VH1 está a passar um concerto dos Duran Duran em versão acústica. Parece que foi ontem. Enquanto preparo o ratatouille - que deve ser para ai a coisa mais elaborada que eu consigo fazer frente a um fogão -, dou por mim a trautear: Who do you need / Who do you love / When you come undone.

Despacho-me o mais que a preguiça domingueira permite, mas, ainda assim, chego cinco minutos atrasado ao ponto de encontro. M. aponta para o relógio. A seu ver, sou um caso perdido. E não estou a falar apenas de pontualidade.

A feira está concorrida. Atacamos primeiro os corredores do lado esquerdo, sabendo, de antemão, que os mais interessantes estão do lado direito (isto para quem vem do Marquês). Não vemos nada de muito transcendente, mas conseguimos comprar uma ou duas pechinchas - Ian McEwan ou Salman Rushdie a cinco euros são uma pechincha, bem como O Estorvo de Chico Buarque a quatro. A dada altura, vislumbramos um dos nossos primeiros patrões. Um tipo execrável, que gosta de pousar de bom samaritano para quem não lhe conhece os podres. Está precocemente envelhecido e pançudo. Não disfarçamos o risinho cínico.

Apetece-nos lanchar. Lisboa ao domingo parece um deserto (que o ministro Lino não me ouça!). O Café da Lanidor, que tanto jeito nos dava a meio da avenida, está fechado. Raios os partam. Engano M., que gosta muito pouco de andar a pé, e consigo que vá até ao Chiado. Barafusta, mas vai. A minha ideia é boa, mas, como (quase) sempre, tropeço na minha habitual desorientação. Mesmo na cidade onde nasci. Não consigo dar com a porra do largo onde é suposto ficar o café que quero mostrar a M. Quando o acho, está fechado. Para variar.

Nem tudo está perdido. Meio ao acaso, damos com um outro, também recente por aqueles lados, que se revela simpático. Instalamo-nos numa mesa junto a uma janela, aberta de par em par, virada para a rua. Está-se bem. Como já passa das sete e M. não gosta de chá - ninguém é perfeito! -, pedimos uma tábua de queijos. Ia bem um copo de vinho a acompanhar, mas M. vai conduzir a seguir e eu tenho sede. Bebo antes uma cerveja.

O resto da tarde vai-se por entre os dedos, entre um pedaço de parmesão, um cigarro e muita conversa. Nunca nos falta assunto. Brindo a isso.

Volto para casa sem fome. Na televisão passa um filme que já vi, mas que não me importo nada de rever. Traffic. Deixa-me a pensar na vida, mas não deprimido. Gosto de filmes assim.
Hoje é segunda-feira... mas, sabem que mais, ainda nem dei bem por isso.

1.6.07

Bom fim-de-semana (outra vez)!

(Cena de O Paciente Inglês, direitos reservados)

Até parece que a semana passou a correr, mas não é bem assim... Enfim, a travessia do deserto acabou por durar mais do que o previsto, mas não há razões de queixa. Não faltaram oásis como porto de abrigo. Agora, mais um fim-de-semana à porta. O tempo promete. Aproveitem bem!