Domingo de sol. Acordo quase à hora de almoço, como gosto. Tenho a casa por minha conta. Vou para a cozinha. Acendo a televisão. No VH1 está a passar um concerto dos Duran Duran em versão acústica. Parece que foi ontem. Enquanto preparo o ratatouille - que deve ser para ai a coisa mais elaborada que eu consigo fazer frente a um fogão -, dou por mim a trautear: Who do you need / Who do you love / When you come undone.
Despacho-me o mais que a preguiça domingueira permite, mas, ainda assim, chego cinco minutos atrasado ao ponto de encontro. M. aponta para o relógio. A seu ver, sou um caso perdido. E não estou a falar apenas de pontualidade.
A feira está concorrida. Atacamos primeiro os corredores do lado esquerdo, sabendo, de antemão, que os mais interessantes estão do lado direito (isto para quem vem do Marquês). Não vemos nada de muito transcendente, mas conseguimos comprar uma ou duas pechinchas - Ian McEwan ou Salman Rushdie a cinco euros são uma pechincha, bem como O Estorvo de Chico Buarque a quatro. A dada altura, vislumbramos um dos nossos primeiros patrões. Um tipo execrável, que gosta de pousar de bom samaritano para quem não lhe conhece os podres. Está precocemente envelhecido e pançudo. Não disfarçamos o risinho cínico.
Apetece-nos lanchar. Lisboa ao domingo parece um deserto (que o ministro Lino não me ouça!). O Café da Lanidor, que tanto jeito nos dava a meio da avenida, está fechado. Raios os partam. Engano M., que gosta muito pouco de andar a pé, e consigo que vá até ao Chiado. Barafusta, mas vai. A minha ideia é boa, mas, como (quase) sempre, tropeço na minha habitual desorientação. Mesmo na cidade onde nasci. Não consigo dar com a porra do largo onde é suposto ficar o café que quero mostrar a M. Quando o acho, está fechado. Para variar.
Nem tudo está perdido. Meio ao acaso, damos com um outro, também recente por aqueles lados, que se revela simpático. Instalamo-nos numa mesa junto a uma janela, aberta de par em par, virada para a rua. Está-se bem. Como já passa das sete e M. não gosta de chá - ninguém é perfeito! -, pedimos uma tábua de queijos. Ia bem um copo de vinho a acompanhar, mas M. vai conduzir a seguir e eu tenho sede. Bebo antes uma cerveja.
O resto da tarde vai-se por entre os dedos, entre um pedaço de parmesão, um cigarro e muita conversa. Nunca nos falta assunto. Brindo a isso.
Volto para casa sem fome. Na televisão passa um filme que já vi, mas que não me importo nada de rever. Traffic. Deixa-me a pensar na vida, mas não deprimido. Gosto de filmes assim.
Hoje é segunda-feira... mas, sabem que mais, ainda nem dei bem por isso.
Despacho-me o mais que a preguiça domingueira permite, mas, ainda assim, chego cinco minutos atrasado ao ponto de encontro. M. aponta para o relógio. A seu ver, sou um caso perdido. E não estou a falar apenas de pontualidade.
A feira está concorrida. Atacamos primeiro os corredores do lado esquerdo, sabendo, de antemão, que os mais interessantes estão do lado direito (isto para quem vem do Marquês). Não vemos nada de muito transcendente, mas conseguimos comprar uma ou duas pechinchas - Ian McEwan ou Salman Rushdie a cinco euros são uma pechincha, bem como O Estorvo de Chico Buarque a quatro. A dada altura, vislumbramos um dos nossos primeiros patrões. Um tipo execrável, que gosta de pousar de bom samaritano para quem não lhe conhece os podres. Está precocemente envelhecido e pançudo. Não disfarçamos o risinho cínico.
Apetece-nos lanchar. Lisboa ao domingo parece um deserto (que o ministro Lino não me ouça!). O Café da Lanidor, que tanto jeito nos dava a meio da avenida, está fechado. Raios os partam. Engano M., que gosta muito pouco de andar a pé, e consigo que vá até ao Chiado. Barafusta, mas vai. A minha ideia é boa, mas, como (quase) sempre, tropeço na minha habitual desorientação. Mesmo na cidade onde nasci. Não consigo dar com a porra do largo onde é suposto ficar o café que quero mostrar a M. Quando o acho, está fechado. Para variar.
Nem tudo está perdido. Meio ao acaso, damos com um outro, também recente por aqueles lados, que se revela simpático. Instalamo-nos numa mesa junto a uma janela, aberta de par em par, virada para a rua. Está-se bem. Como já passa das sete e M. não gosta de chá - ninguém é perfeito! -, pedimos uma tábua de queijos. Ia bem um copo de vinho a acompanhar, mas M. vai conduzir a seguir e eu tenho sede. Bebo antes uma cerveja.
O resto da tarde vai-se por entre os dedos, entre um pedaço de parmesão, um cigarro e muita conversa. Nunca nos falta assunto. Brindo a isso.
Volto para casa sem fome. Na televisão passa um filme que já vi, mas que não me importo nada de rever. Traffic. Deixa-me a pensar na vida, mas não deprimido. Gosto de filmes assim.
Hoje é segunda-feira... mas, sabem que mais, ainda nem dei bem por isso.
4 comentários:
Gostei da parte de "a minha habitual desorientação"... ah ah ah ah ah !
Bela tarde ! Essa de fazeres a M. andar a pé.... foi por engano de certeza :)
Gostei bastante deste relato domingueiro…
Consigo quase ver algumas passagens…
Ai, que delícia de domingo. Divertido, com alguns "furos" e lances para se guardar na memória por muitas segundas-feiras!
O texto estava delicioso. Pena eu não provar dos queijos e, eventualmente, do chazinho, para dizer o mesmo!
;o)
Bj!
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