“Francisco Palmares suspira, ergue os olhos e vê um anjo. A luz passa através dele, como é suposto que aconteça com os anjos, e desce depois dourada e mansa sobre os largos espelhos com molduras de jacarandá.
«Cada espelho destes pesa uma tonelada e meia. Vieram da Bélgica no princípio do século. Certamente ainda guardam a imagem de Olavo Bilac, Machado de Assis, Lima Barreto. Todos eles tinham o costume de vir aqui tomar chá às cinco da tarde, sabias?»
Monte encolhe os ombros.
«Não sabia e nem isso me interessa. Prefiro a nossa Biker, em Luanda, agrada-me a decadência.»
O coronel ignora o comentário.
«O Olavo Bilac era tão pontual que as pessoas costumavam acertar o relógio assim que ele entrava.»
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21.12.06
Postal Ilustrado (2)
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Cafés e Pastelarias,
José Eduardo Agualusa,
Rio de Janeiro
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