
E porque há coisas que têm mais sentido quando vividas em boa companhia, obrigado.
Tango
Rodopiamos
Embriagados pela luz
Sem despregar o olhar
Eu avanço
Tu recuas
Tropeçamos no ardor
Mas os corpos amparam a queda
Num compasso a dois tempos
Arremesso-te
Tu resistes
Tu rebates
A parede nua é a minha teia
Cerco-te por todos os lados
A minha língua é veneno
que te entorpece
Mas o desejo em ti aceso encadeia
Cego, apenas guiado pelo teu cheiro,
Devoro a tua boca
Sopro segredos ao teu ouvido
Os teus lábios devolvem murmúrios
São minhas as mãos que por ti deslizam
É tua a pele que se eriça ao meu toque
E porque a vertigem é passageira
Mas a ilusão pode ser eterna
Enredamo-nos na parede nua
Sem pressa dela sair.


